Cacique Pequena, cearense, é homenageada em campanha do Google ao lado de Beyoncé e Oprah

A primeira cacique mulher no Brasil se une a nomes como Beyoncé e Oprah Winfrey em vídeo em que celebra o pioneirismo feminino

Foto: Helene Santos


A cearense Maria de Lourdes da Conceição Alves, a Cacique Pequena, há 25 anos, se tornou a primeira mulher a quebrar a tradição da sucessão masculina nas aldeias indígenas, representando o povo Jenipapo-Kanindé, no município de Aquiraz.  

E é com o peso da sua história que ela se junta a nomes internacionais como Oprah Winfrey, Beyoncé,  Madam C.J. Walker (Sarah Breedlove) e Marie-Cure, primeira mulher a ganhar prêmio Nobel, em uma campanha do Google.

Na campanha "First of Many — Women’s History Month 2021", a plataforma selecionou mulheres inovadoras que lutaram para conquistar seu espaço no cenário mundial. 

Para Cacique Pequena, é gratificante receber esse reconhecimento por toda a sua luta.

“Estou muito feliz, sou a primeira Cacique mulher do Brasil e estou sendo reconhecida no mundo inteiro por essa homenagem feita pelo Google. Isso pra mim é muito importante, estar no meio das mulheres mais importantes do mundo, mulheres guerreiras, poderosas e que trabalham pelo seu povo”, afirma.  

A história da Cacique também se entrelaça com os Projetos Povos do Mar e Herança Nativa, do Sesc Ceará, que mostram a cultura de diversos povos do estado.  

Em reconhecimento a essa trajetória, o Google inseriu a Mestra da Cultura, Mestre do Mundo e Doutora da Mata no projeto de homenagem a notáveis primeiras mulheres que transformaram a sociedade ao longo dos anos a partir de um conteúdo de audiovisual produzido pelo Sesc Ceará, que contou sua história para o mundo.    

Força feminina 

Cacique Pequena guia o povo em grandes batalhas pelo direito à terra, educação, saúde e cidadania. Uma das principais lutas vencidas pela Cacique foi tornar as 129 famílias do povo Jenipapo-Kanindé reconhecidas pela Funai como indígenas.

“Em 1995, fui à Brasília e tive a oportunidade de conversar com o presidente da Funai. Pedi que mandasse o povo dele na aldeia para fazer o estudo da nossa mãe-terra e de nós”. Dois anos depois vieram os antropólogos que concluíram: “Nós era índio sim!”, diz ela.

Durante 12 anos, Pequena acompanhou o processo das terras, delimitadas em 1999 e demarcadas em 2011. Também fazem parte da trajetória da primeira Cacique mulher, a busca para que os nativos da aldeia pudessem conquistar seus direitos.

Foto: Fabiane de Paula

“Por aí afora, fui atrás de vários projetos para acontecer as coisas dentro da aldeia. Hoje tem colégio indígena dentro da aldeia, tem posto de saúde, CRAS, museu, casa de farinha e uma pequena pousadinha que nós temos para oferecer alimentação aos turistas quando vêm. ” 

O pioneirismo da primeira Cacique segue inspirando outras mulheres que enxergam em Pequena a possibilidade de fazer a diferença, quebrando tabus e paradigmas. No processo de sucessão da aldeia, entre 16 filhos, o legado de Cacique Pequena vai ter continuidade nas gerações futuras a partir de duas filhas, escolhidas pela comunidade.  

 


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