Setores querem saída para a escassez de água
Evento realizado com o governador e a visita do presidente foram momentos oportunos para expor a situação
A questão hídrica do Ceará é uma preocupação coletiva e além de afetar a população, atinge diretamente o setor produtivo e o comércio do Estado que, constantemente, em suas assembleias, reuniões e atividades, discutem o problema e as possíveis soluções. Como forma de alertar ainda mais sobre a questão, algumas entidades ligadas a estes segmentos aproveitaram um evento com o governador Camilo Santana nessa sexta-feira na sede da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e a primeira visita do presidente Michel Temer ao Ceará para publicarem um texto nos veículos de comunicação.
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No texto, há um contentamento com a publicação do edital de licitação para dar continuidade às obras de transposição do Rio São Francisco no trecho entre Cabrobró, em Pernambuco, e a cidade de Jati, no Ceará, No entanto, a nota deixa clara a vigilância que as entidades irão fazer para que os prazos das obras sejam cumpridos e que não tenham mais atrasos.
De acordo com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), até o último dia 21 de novembro, o armazenamento de água nos reservatórios cearenses era de apenas 7,49% do volume total.
Segundo a nota publicada, "o alerta se justifica porque apesar de todos os esforços despendidos, o Ceará poderá não contar com as águas do Rio São Francisco, em 2017, caso haja qualquer negligência na abertura e nas outras fases do processo de licitação". E, continua, "estamos na iminência de um colapso hídrico no Estado".
Indústria
Segundo o presidente do Conselho Temático de Agronegócio (Conag) da Fiec, Bessa Júnior, a indústria está passando por uma situação equilibrada em relação a água em virtude da redução de 20% que sofreu por conta da recessão econômica nacional.
"Mas a grande preocupação é a partir de agora, porque a transposição não chega em 2017 e estamos na expectativa de uma quadra chuvosa favorável para que se possa encher os reservatórios", explica o presidente do Conselho.
Apoio
Segundo relato de Bessa Júnior, a Federação das Indústrias do Ceará apoia o plano de contigência lançado pelo governo estadual recentemente. "O que está proposto é uma forma de administrar o ano de 2017 até a transposição prevista para 2018. Sem a chegada (da água da transposição), Fortaleza não suporta mais", considera.
Em relação ao governo federal, o presidente do Conag diz que é preciso ter liberação de recursos para ter mais poços, adutoras e fazer a conclusão do Cinturão das Águas do Ceará (CAC). "Tem que aproveitar a presença dele (Temer) aqui e cobrar as verbas", afirma.
Medidas
O manifesto considera que o governo sozinho não será capaz de resolver esta crise hídrica. E algumas medidas se fazem necessárias, como redução do consumo de água por parte da população; o uso responsável na atividade produtiva e busca por novas fontes hídricas pelo setor; a canalização de recursos e potencialização de ações por parte do governo; e o engajamento e comprometimento na soluções dos problemas por parte das lideranças públicas.
Participantes
Entre as entidades que assinam o comunicado publicado na edição dessa sexta-feira dos jornais, estão, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), a Câmaras de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL-Fortaleza) e também a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE).
Assinam ainda a nota a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), a Federação das Associações de Comércio, Indústria, Serviços e Agricultura do Ceará (Facic), a Associação Comercial do Ceará (ACC), a Federação das Associações dos Jovens Empresários do Ceará (Fajece), a Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza (AJE Fortaleza) e a Assembleia Legislativa do estado do Ceará por intermédio da Frente Parlamentar do São Francisco.