Taxas de juros mais baixas atraem negócios ao Estímulo 2020

Programa social da iniciativa privada já ajudou, pelo menos, 500 micro e pequenos negócios cearenses. Taxa de juros é de 0,53% ao mês, inferior a taxas praticadas por outras instituições financeiras

Legenda: A empresária Andréia Rodrigues, proprietária de uma loja de autopeças, conseguiu manter o negócio com o empréstimo
Foto: José Leomar

Em meio à dificuldade de acesso ao crédito pelos meios tradicionais de financiamento, especialmente aos negócios de pequeno porte, pelo menos 500 micro e pequenas empresas cearenses já foram beneficiados com o Estímulo 2020, programa social da iniciativa privada que oferece capital de giro a empresas afetadas pela pandemia.

Para mitigar os efeitos da crise, o programa disponibiliza crédito para o capital de giro no valor de até um mês de faturamento da empresa beneficiada, a uma taxa de juros de 0,53% ao mês, carência de três meses e prazo de pagamento em até 15 vezes. As condições tornam o processo mais atrativo que nas instituições financeiras tradicionais, onde, embora algumas tenham carência e prazo de pagamento maior, apresentam taxas de juros que variam de 1,05% a 3,79% ao mês.

Depois de ter perdido 50% dos contratos de consultoria empresarial na pandemia, Mariana Antenor usou o capital de giro e o cheque especial para honrar os compromissos que havia feito antes da crise. Com o passar do tempo, as despesas continuaram as mesmas, mas o faturamento caiu drasticamente.

Logo após ter tido uma linha de crédito negada pelo banco, ela se inscreveu no Estímulo 2020 e foi contemplada, o que, segundo Mariana, "deu um fôlego excepcional" ao negócio. "Não demorou. Foi um tempo recorde, especialmente porque tudo foi feito de forma virtual. Quando eles disseram o valor e pediram os documentos, de imediato eu mandei. Não conheço outra taxa de juros tão atrativa quanto. Há também a carência, a facilidade quanto ao prazo de pagamento. Espero estar, em dezembro, 100% recuperada na capacidade de ganho", diz a empresária.

O fato também aconteceu com Andréia Rodrigues, proprietária de uma loja de autopeças. Ela chegou a pedir empréstimo a duas instituições financeiras, mas sem resultados positivos.

Para manter o quadro de funcionários e os produtos no estoque, ela chegou a se inscrever no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e conseguiu parte do que precisava. O programa, lançado pelo Governo Federal, é condicionado a uma taxa equivalente à Selic (2% ao ano), mais 1,25% sobre o valor concedido e prazo de 36 meses de pagamento.

Para honrar os demais compromissos, ela se inscreveu também no Estímulo 2020. "Nos falaram, em uma das agências bancárias que fomos, que a cota do dinheiro que o Governo Federal mandou (para o Pronampe) havia acabado, porque muitas pessoas tinham procurado. Tentamos mais uma vez e conseguimos e, logo após, fomos beneficiados com o Estímulo 2020, que tem uma taxa de juros excelente. Foi um processo muito rápido. Nós fizemos o cadastro em um dia e, no outro, já mandamos a documentação", destaca o empresário.

Queda no faturamento

Por causa do isolamento social, o empresário Márcio Roberto Gaino viu número de serviços de manutenção de automóveis da empresa de instalação de rastreadores de veículos cair, o que contribuiu para a queda de 30% a 40% no faturamento. Ele conta que tentou acessar linhas de crédito nos dois bancos em que é cliente, mas notou que as condições não eram favoráveis, uma vez que as taxas de juros estavam muito altas.

O empresário também tentou obter crédito pelo Pronampe, mas não obteve êxito. Depois da negativa, ele descobriu o Estímulo 2020, em que conseguiu um empréstimo para quitar as dívidas e investir no negócio, comprando novos equipamentos e pagando os funcionários.

"Notei que a diferença era bem evidente (entre o Estímulo 2020 e as instituições financeiras). Para conseguir R$ 50 mil (com o banco tradicional), teria que penhorar casa, carro, comprovando tudo para poder pegar o dinheiro. No Estímulo 2020, não dei nada, só a documentação da empresa e a minha. Fizeram um cadastro, avaliaram tudo e aprovaram o valor. É uma ideia que ajuda a fomentar o mercado financeiro. Quanto mais gente beneficiada, melhor".

Projeto

A iniciativa é 100% privada e reúne executivos, empresários, artistas, empreendedores sociais e empresas que contribuem com os recursos financeiros e oferecem gratuitamente todos os conteúdos de capacitação em temas como educação financeira, gestão, empreendedorismo, inovação e design, entre outros. Inspirada nos relief funds (fundos de alívio) dos Estados Unidos, o Estímulo 2020 é a primeira ideia do gênero no Brasil, em que entidades privadas e pessoas físicas oferecem socorro a empreendedores em dificuldades.

O programa foi lançado no Ceará em 25 de agosto, depois de ser implementado em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Chegou ao estado por meio do Somos Um, negócio de impacto social que vem promovendo, durante a pandemia, ações solidárias para garantir alimento nas casas de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

O projeto social já recebeu cerca de 17 mil pedidos de crédito e mais de R$ 20 milhões já foram concedidos nos estados em que atua.

Superar a crise

De acordo com o diretor de Operações do Estímulo 2020, Fábio Lesbaupin, o programa social é fundamentado em dois pilares: oferecer linhas de crédito e educação aos empresários, no sentido de capacitá-los para superar a crise e melhorar a gestão no ponto de vista operacional. "A taxa de juros é praticamente simbólica, ninguém vai se 'afogar' em dívidas, porque é como se fosse algo de pai para filho".

"A ideia era que o programa social ficasse durante a crise, mas vimos que houve sucesso, e devemos continuar. Tem muita gente apoiando o Estímulo 2020 e cada vez mais conquistamos mais doadores. Emprestamos a quem tem bom score, que é bom pagador. Enquanto estivermos cumprindo a nossa missão - de ajudar micro e pequenos empreendedores - não temos motivo para encerrar".

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