Professora denuncia troca de aplicadores por policiais federais no Enem 2021; PF nega

Hélida Lança, docente em São Paulo, afirmou nas redes sociais que as professoras foram trocadas porque não passaram em uma avaliação da PF

enem 2021
Legenda: O Enem começa a ser aplicado em todo o Brasil neste domingo (21)
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A diretora de uma escola pública de São Paulo denunciou que foi orientada a retirar duas professoras e colocar dois policiais federais como aplicadores do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Via Twitter, na noite de sexta-feira (19), Hélida Lança relatou que as educadoras deveriam ser substituídas porque não passaram em uma suposta avaliação da PF. Esta última, no entanto, nega interferência na prova.

Inicialmente, Hélida Lança, que também é professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp), informou que a comunicação da troca foi feita pela Fundação Cesgranrio, executora do Enem.

"Sou diretora de uma escola estadual, que há anos é usada para a aplicação do Enem. Hoje uma pessoa da Cesgranrio mandou mensagem, informando que é pra gente retirar dois aplicadores da lista, que entrarão dois policiais federais no lugar. Tá bom pra vocês?", disse.

Em seguida, Hélida fez um outro post atualizando que, "na verdade, as duas profs (sic) foram tiradas porque não passaram pela avaliação da Pol Federal, em razão de terem sido alocadas por último. A partir deste ano a PF avalia fichas dos aplicadores (???!!!)".

Ao O Globo, a diretora disse não ter conhecimento da avaliação feita pela PF aos aplicadores. "A justificativa foi a de que não deu tempo de a PF avaliar a ficha delas. Nunca vi isso acontecer antes. No Enem de 2020, realizado em janeiro deste ano por conta da pandemia, substituímos um aplicador do dia da prova porque ele estava com sintomas gripais. Esse novo aplicador também não passou por avaliação da PF". 

Esclarecimentos

A Polícia Federal emitiu nota nesse sábado (20) informando que indeferiu os cadastros das duas educadoras porque eles haviam sido feitos após a data limite. Já a "mensagem vinculando o indeferimento dos cadastros à Polícia Federal, segundo o representante da empresa, foi um 'erro de comunicação'”.

No entanto, a PF não comentou a acusação de ter indicado agentes federais para o lugar das aplicadoras.

Ainda na nota, a PF afirmou que orientou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a fazer "a confecção de uma listagem dos colaboradores e de um cadastro de reserva". O objetivo seria evitar que "pessoas desconhecidas, às vésperas do exame, lograssem participar da fiscalização do evento".

A Fundação Cesgranrio também confirmou que os cadastros das colaboradoras foram recusados por terem ocorrido fora do prazo. No comunicado à imprensa, a empresa ponderou que as professoras não foram trocadas por policiais federais, mas por "outras pessoas capacitadas e habilitadas" para a realização da aplicação do Enem.

Prova

O Enem será aplicado neste domingo (21) e no próximo (28) para mais de 3 milhões de estudantes em todo o País.

Neste primeiro dia de prova, os participantes farão as provas de Linguagens, Ciências Humanas e Redação. No segundo, matemática e ciências da natureza. Os locais de prova estão disponíveis no Cartão de Confirmação de Inscrição na Página do Participante.

O exame seleciona estudantes para vagas do ensino superior públicas, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para bolsas em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), e serve de parâmetro para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

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