Ministro da Saúde Marcelo Queiroga é ouvido em CPI da Covid-19

O depoimento de Antonio Barra Torres foi remarcado para a próxima terça-feira (11)

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga é a primeira testemunha a ser ouvida, nesta quinta-feira (6), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar as ações e possíveis omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19. 

Além do titular da pasta, também estava previsto para a data o depoimento do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, mas foi adiado para a próxima terça-feira (11). 

Acompanhe o depoimento de Queiroga em tempo real 

Queiroga está à frente do Ministério da Saúde desde 23 de março deste ano. O médico cardiologista assumiu o cargo com o desafio de chefiar a pasta no pior momento da pandemia no Brasil, quando se somavam cerca de 300 mil mortes no País. Atualmente, o número de óbitos já ultrapassou a marca de 400 mil brasileiros.  

Ele era presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, no início deste ano. Sob sua gestão, a organização ressaltou a importância da imunização em massa e recomendou que a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina não fossem usadas contra a Covid-19.  

Após a posse no MS, a entidade retrocedeu e abriu a possibilidade de pacientes receberem cloroquina e hidroxicloroquina após assinatura de termo de consentimento.  

Queiroga é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro, com grande aproximação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos filhos do presidente. Ele, inclusive, foi indicado por Bolsonaro para ser um dos diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas ainda não foi votada pelo Senado Federal.  

O Senado Federal o convoca para prestar esclarecimentos sobre a atual situação do ministério, como médico o encontrou quando foi nomeado e quais ações a pasta planeja para o futuro, com foco no Plano Nacional de Imunização.  

Antonio Barra Torres  

Barra Torres foi oficializado na chefia da Anvisa em novembro de 2020, em plena pandemia. Assim como vários membros do primeiro e segundo escalão do governo Bolsonaro, ele é militar contra-almirante da Marinha.   

Alinhado a Bolsonaro, participou, em abril de 2020, das manifestações antidemocráticas a favor do presidente e não usou máscara.   

Pouco tempo após assumir o cargo, interrompeu os testes da Coronavac, episódio que causou questionamentos sobre a independência da Anvisa.   

Por isso, senadores querem ouvi-lo na CPI sobre o processo que levou à reprovação do registro da vacina Sputnik V, bem como sobre os procedimentos para autorização dos demais imunizantes contra a Covid-19  

Primeiras oitivas   

Dois ex-ministros da saúde do governo Bolsonaro já foram ouvidos no Plenário do Senado nesta semana.   

Luiz Henrique Mandetta foi a primeira testemunha a participar da comissão, na terça-feira (4), e em um depoimento que durou quase 8 horas o ex-ministro detalhou como foi sua gestão frente ao MS.  

O oncologista Nelson Teich foi ouvido nesta quarta-feira (5) e também falou sobre os bastidores dos 29 dias em que foi titular da pasta.   

Adiamento do depoimento de Pazuello  

O depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que estava marcado para acontecer nesta quarta-feira, foi adiado após o militar informar à CPI teve contato com pessoas suspeitas de estarem infectadas pelo novo coronavírus durante o fim de semana.   

Diante da informação, a comissão resolveu remarcar a oitiva para o próximo dia 19 de maio, exatos 15 dias, tempo recomendado de isolamento de pessoas com a doença.   

CRONOGRAMA  

Os parlamentares realizaram uma mudança no calendário de depoimentos durante a sessão desta quinta-feira. Eles definiram como será as oitivas da próxima semana.

  • atual ministro da Saúde Marcelo Queiroga é ouvido nesta quinta-feira; 
  • terça-feira (12): diretor-presidente da Anvisa Antonio Barra Torres
  • quarta-feira (12): ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten  
  • quinta-feira (13): ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e a presidente da Pfizer no Brasil, Marta Diez
  • 19 de maio: antigo titular do MS Eduardo Pazuello  

Com as mudanças, os senadores ainda não decidiram as datas das declarações do diretor do Instituto Butantan Dimas Covas, da presidente da Fiocruz Nísia Trindade Lima e do representante da União Química, responsável pela vacina Sputnik V no Brasil, Fernando de Castro Marques.

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