Cadernos de anotações do miliciano Ecko mostram distribuição de armas em regiões do RJ

Material foi apreendido após ação que culminou na morte do criminoso mais procurado do país

Foto de Ecko ao lado de imagem dos cadernos encontrados pela polícia
Legenda: Cadernos foram encontrados na residência onde Ecko foi encontrado
Foto: reprodução

Cadernos de contabilidade apreendidos na casa onde Wellington da Silva Braga, o Ecko, foi encontrado mostram parte do esquema de distribuição de 137 armas da quadrilha que era chefiada por ele. O material foi colhido por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), na comunidade Três Pontes, em Paciência, após a morte do criminoso.

As 61 páginas dos cadernos foram divulgadas pelo jornal 'O Globo' no fim da tarde da segunda-feira (14). Nelas, 32 pistolas, 98 fuzis AR-15, seis 7.62, um paraFAL, além de carregadores e munição são citados.

Além disso, os registros mantidos pelo então miliciano elencam pelo menos 29 regiões no Rio e em municípios da Baixada Fluminense, como Belford Roxo e Itaguaí, também citando nomes de outros bandidos envolvidos com o esquema.

Divisão das áreas

Segundo a organização do caderno, cada área foi distribuída em uma folha. Em uma delas, são destinados à 'Caroba' oito fuzis AR-15, 31 carregadores para esse tipo de armamento, além de 11 carregadores para fuzis calibre 7.62 e 740 balas.

Enquanto isso, para a localidade chamada de 'Santa Maria' são designados quatro AR-15 e 22 carregadores. Já para 'Campinho', são quatro AR-15, uma pistola e 100 balas de calibre 556.

Veja a galeria:

Comparsas citados

Em meio à distribuição de armamento, nomes e apelidos de aliados da quadrilha de Ecko também foram encontrados. A um deles, chamado de 'Malvado', existe a menção de destinar quatro AR-15, com 30 carregadores, e um fuzil G-3, com cinco carregadores.

Até o momento, as páginas encontradas estão sob análise da Polícia Civil do Rio de Janeiro. As investigações pretendem saber quem ficará no lugar de Ecko no comando da atual maior milícia do estado.

Ecko foi baleado durante uma ação de inteligência da corporação, e morto durante o confronto em que tentou pegar a arma de um dos agentes.

Ex-PM delator

Ainda segundo publicação do jornal O Globo, um ex-PM envolvido com a cúpula da quadrilha de Ecko decidiu delatar o funcionamento do grupo criminoso. Após admitir que se envolveu com a milícia e repassar as informações à Justiça, ele recebeu ameaças no presídio onde estava detido.

O ex-PM fez a confissão em março de 2019, durante interrogatório na 2ª Vara Criminal de Santa Cruz. Ele informou que atuava em Seropédica, na Baixada Fluminense, tinha a função de guardar armas de fogo para o grupo paramilitar e recebia R$ 500 por semana para realizar a função.

Durante depoimento, ele relatou que ao tentar acordo de delação premiada com o Ministério Público estadual do Rio começou a receber ameaças no presídio. O ex-policial havia sido preso em agosto de 2018.

Segundo o depoimento, a milícia que já foi chefiada por Carlinhos, irmão de Ecko, realizava atividades como comercialização de botijões de gás, transporte alternativo, serviços de televisão a cabo clandestina, além de cobrança de taxas nas comunidades. 

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