Brasil lidera taxa de mortalidade por Covid-19 nas Américas após superar Estados Unidos e Peru

Projeções indicam que o País pode superar os EUA em números absolutos de óbitos pela doença

Pessoas enterrando mortos por Covid-19 em cemitério
Legenda: Projeções indicam que Brasil deve ultrapassar os EUA em número absoluto de mortes no segundo semestre de 2021.
Foto: Miguel Schincariol/AFP

O Brasil se tornou o país das Américas com a maior taxa de mortes causadas por Covid-19 por milhão de habitantes depois de ultrapassar México, Peru e Estados Unidos. Na última sexta-feira (16), o coeficiente da mortalidade no País ficou em 1.735 óbitos por milhão de habitantes, enquanto o dos EUA fechou em 1.711 na mesma proporção.

Os dados são do site Our World in Data, da Universidade Johns Hopkins, e foram analisados pelo demógrafo José Eustáquio Alves, pesquisador e professor aposentado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os Estados Unidos ainda lideram em números absolutos, com a maior quantidade de mortes pela doença — 570 mil pessoas se foram em razão do novo coronavírus. O Brasil é o segundo, com 374.682, conforme o Ministério da Saúde.

No entanto, especialistas da Universidade de Washington (EUA) projetam que o País, pelo ritmo seguido pela Covid-19, deve ultrapassar os EUA em número absoluto de mortes no segundo semestre de 2021.

Escalada de casos

Em 1.º de março, os Estados Unidos tinham 516 mil mortes; o Brasil, 256 mil (ou 50% do total americano). Já no dia 16 de abril, os Estados Unidos alcançavam 567 mil óbitos, ante 369 mil no Brasil (65% dos óbitos americanos).



Como a vacinação está muito mais avançada nos EUA do que no território brasileiro, e o número de casos da doença continua em patamar muito alto no País, o Brasil já poderá ter o equivalente a 95% do total de casos americanos em agosto, conforme o levantamento.

O Brasil registrou 1.607 novas mortes pela Covid-19 nesta segunda-feira (19). A média semanal de vítimas — que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana — ficou em 2.860, apresentando uma leve queda em relação ao dia anterior, com 2.878.

José Eustáquio Alves avalia a previsão como "exagerada". "Mas, de qualquer forma, estamos a caminho de ultrapassar os Estados Unidos em número absoluto de mortes. Se não for em agosto, será em setembro ou outubro", ponderou.

Países menores

Na conta de mortes por milhão, Brasil só não está na frente de países pequenos e com população idosa. Atualmente, o País ocupa a 11ª posição no ranking com a maior proporção de vidas perdidas para a pandemia do novo coronavírus.

Nas primeiras posições estão a República Checa e a Hungria, com mais de 2,5 mil mortes por milhão de habitantes. Depois, vêm Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Macedônia do Norte, Bélgica e Eslováquia — todos com coeficientes acima dos 2 mil óbitos por milhão. "São países pequenos, muito frios e com grande número de idosos", explica Alves. O cálculo não são considera nações com menos de 100 mil habitantes, como Gibraltar e San Marino.

Se a pandemia não for mitigada no Brasil, o País pode ultrapassar o Reino Unido ainda em abril e superar a Itália em maio. Nessa hipótese, ficará em companhia apenas dos pequenos países de clima frio e estrutura etária envelhecida.

A média de mortes no mundo é de 385 por milhão. Entre os países menos afetados pela doença estão Nova Zelândia (5 óbitos por milhão), China (3), Camboja (2), Taiwan (0,5) e Vietnã (0,4).

Vítimas chegam a 3 milhões

Desde o fim de 2019, quando foi detectado, o novo coronavírus matou mais de 3 milhões de pessoas ao redor do mundo. A marca foi alcançada no sábado (17), também de acordo com a universidade americana Johns Hopkins, referência no tema. O registro foi de 3.002.053 vidas perdidas.

Apenas na semana passada, foram registrados por dia, em média, 12 mil óbitos, segundo levantamento da agência de notícias francesa AFP. Desse total, o Brasil é responsável por quase um quarto dos registros.

O número total de vidas perdidas é maior do que a população de todas as capitais do País, com as exceções de São Paulo, Rio e Brasília.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o Brasil