Em discurso de vitória, Joe Biden promete unificar país e restabelecer respeito dos EUA

Mesmo com apuração ainda em andamento, Biden conseguiu votos suficientes nos colégios eleitorais, sendo o 46º presidente dos EUA, impondo fim ao mandado de Donald Trump

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Legenda: Biden cumprimenta apoiadores após discurso de vitória
Foto: AFP

Com discurso conciliador, o novo presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu unificar o país e restabelecer o respeito da nação frente a outros países do mundo. A vitória nas urnas chegou após quatro dias de apuração conturbada de votos – que desde o início da contagem recebe ameaças de contestação judicial do atual presidente republicanos Donald Trump, candidato à reeleição.

“Prometo ser um presidente que não busca dividir, mas unificar. Alguém que não vê os estados vermelho e azul, mas, sim, os Estados Unidos. E que trabalhará de todo o coração para conquistar a confiança de todo o povo”, declarou o democrata, num aceno de pacificação para os apoiadores de Trump, insatisfeitos com o resultado.

Com sinalização para outras nações, à classe média e a movimentos antirracistas no país, ele disse que irá “fazer a América ser respeitada no mundo de novo”.

“É hora de colocar de lado a retórica dura, baixar a temperatura, nos vermos novamente, nos ouvirmos novamente e, para progredir, temos que parar de tratar nossos oponentes como nossos inimigos. Eles não são nossos inimigos. Eles são americanos”, enfatizou.

Votado por mais de 75 milhões de pessoas, número sem precedentes, o democrata Joe Biden foi o 46º presidente eleito do país. Nos colégios eleitorais, ele levou a disputa com vantagem sobre o atual presidente Donald Trump. Biden conquistou 290 colégios eleitorais contra 214 do republicano.

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Harris

Antes de Biden, discursou a vice-presidente eleita Kamala Harris, 56 anos, a primeira mulher e também a primeira pessoa negra a ser eleita para o cargo. Filha de uma mãe indiana e de um pai jamaicano.

“Vocês votaram e deixaram uma mensagem clara: escolheram a esperança, unidade, decência, a ciência e a verdade”. comentou.

A escolha de Harris para integrar a chapa de Joe Biden foi vista como um aceno do partido a grupos mais diversos, principalmente, depois de uma onda de protestos contra o racismo no país. Ela é formada em Direito e já foi procuradora de São Francisco, além de ser senadora pela Califórnia desde 2017.

Resultado e contestação

Mesmo com apuração ainda ocorrendo nos estados, Biden conseguiu votos suficientes nos colégios eleitorais, sendo eleito o 46º presidente dos EUA e colocando fim ao mandato de Trump.

Diante da vantagem de Biden, Trump decidiu levar o resultado à Justiça americana, comportamento que vinha adotando antes mesmo do fim da apuração. Trump é o primeiro presidente americano a perder a reeleição desde George H. W. Bush, no início da década de 1990.

A campanha de Trump iniciou ações judiciais em vários estados. Essas alegações de fraude, que os democratas dizem ser infundadas, podem atrasar a aprovação oficial dos resultados por dias ou semanas. Entretanto, os resultados parciais não vão mudar a tendência. Apesar de terem ocorrido em meio à pandemia da Covid-19 e em um clima político tenso, as eleições decorreram sem incidentes graves ou falhas técnicas.

A missão eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) disse não ter observado “nenhuma irregularidade grave” e pediu para evitar “especulações prejudiciais”.

Comemorações

Em meio a gritos e aplausos, uma multidão se aglomerou ontem no centro de Washington, perto da Casa Branca, para comemorar depois que a mídia declarou Joe Biden como presidente dos Estados Unidos.

Longe do clima de agitação, Donald Trump decidiu passar a tarde jogando golfe na vizinha Virgínia após tuitar alegações incendiárias e infundadas sobre supostas fraudes eleitorais, antes de retornar à Casa Branca. 

O movimento na capital, um reduto democrata, era enorme, em meio ao som de buzinas de carros, ao bater de panelas e frigideiras e aos gritos. Apesar da pandemia, em outras locais do país também houve registro de comemorações nas ruas, mesmo com as restrições imposta pela pandemia da Covid-19.

Já em cidades como Phoenix (Arizona), Filadélfia (Pensilvânia) e Atlanta (Geórgia), apoiadores do presidente republicano se reuniram sob o slogan #StopTheSteal (Pare o roubo), repetindo as palavras de Trump, que afirmou sem provas que Biden havia vencido de maneira fraudulenta.

Repercussão no mundo

Enquanto no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) silenciou sobre os resultados da eleição americana, sem parabenizar publicamente a vitória de Joe Biden, diversos líderes mundiais não perderam tempo em desejar felicitações ao democrata.

A chanceler alemã Angela Merkel, cujas relações com Trump eram mais do que frias, desejou a Biden “de todo o coração sorte e sucesso”.

O presidente francês Emmanuel Macron parabenizou Biden e pediu-lhe que agisse “junto” para “enfrentar os desafios atuais”. O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau escreveu em um comunicado que está “ansioso” para trabalhar com Biden e Kamala Harris para superar desafios.

Líderes brasileiros comemoram

Ao contrário de Bolsonaro, outras lideranças políticas no Brasil se adiantaram e parabenizaram Biden tão logo as emissoras americanas declararam Biden como o novo presidente eleito. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governadores do Ceará, São Paulo, Maranhã, Rio Grande do Sul e Espírito Santo fizeram publicações congratulando o novo líder americano.

“Parabenizo o presidente eleito e, em nome da Câmara dos Deputados, reforço os laços de amizade e cooperação entre as duas nações”, disse Maia.

“Muito feliz com a derrota de Trump. Com ele, caem os que fazem apologia à violência, os que negam as mudanças climáticas, os irresponsáveis no combate ao coronavírus”, ressaltou o governador do MA, Flávio Dino (PCdoB). “A eleição de Joe Biden nos EUA é vitória da ponderação sobre o extremismo. É vitória da civilidade sobre a irracionalidade”, destacou o governador do RS, Eduardo Leite (PSDB).

 

 

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