AstraZeneca espera produzir 200 milhões de doses de vacina contra Covid-19 até abril

Vacina adaptada a variantes, no entanto, pode levar até nove meses para ser produzida, conforme empresa

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Legenda: A necessidade de um imunizante mais adequado às mutações do coronavírus cresceu depois que dados iniciais mostraram proteção menor contra a variante da África do Sul em relação a casos leves e moderados da doença.
Foto: Tiziana Fabi/AFP

A empresa AstraZeneca espera produzir mais de 100 milhões de doses da sua vacina contra a Covid-19 — feita em conjunto com a Universidade de Oxford — ainda neste mês e elevar a capacidade para mais de 200 milhões de doses por mês até abril, afirmou o presidente executivo da farmacêutica, Pascal Soriot, nesta quinta-feira (11).

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento Biofarmacêutico da companhia, Mene Pangalos, afirmou que a AstraZeneca espera os dados dos testes em estágio avançado de sua vacina nos Estados Unidos, antes do fim de março.

Uma leitura dos dados está somente "semanas distante", disse ele em teleconferência depois da divulgação dos resultados da companhia em 2020.

OMS recomenda vacina

A vacina da AstraZeneca é segura e eficaz e deve ser amplamente implantada, recomendou um painel da Organização Mundial da Saúde (OMS) nessa quarta-feira (10). A recomendação vale inclusive em países nos quais a variante sul-africana do coronavírus talvez reduza sua eficácia. Atualmente, o imunizante é usado no programa do governo federal brasileiro.

Em recomendações provisórias sobre a vacina, o painel do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização disse que a vacina deve ser administrada em duas doses, com um intervalo de cerca de 8 a 12 semanas entre a primeira e a segunda, e também deve ser utilizada em pessoas com 65 anos ou mais. No fim de janeiro, a comissão alemã de vacinação recomendou a vacina apenas para pessoas fora desse segmento.

Mesmo em países como a África do Sul, onde foram levantadas questões sobre a eficácia da vacina da AstraZeneca contra uma variante do coronavírus Sars-CoV-2, "não há razão para não recomendar seu uso", afirmou o presidente do grupo da OMS, Alejandro Cravioto, em entrevista.

"Fizemos uma recomendação de que mesmo que haja uma redução na possibilidade de essa vacina ter um impacto total em sua capacidade de proteção, principalmente contra doenças graves, não há razão para não recomendar seu uso mesmo em países que têm circulação da variante", disse ele.

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Legenda: A vacina da AstraZeneca é segura e eficaz e deve ser amplamente implantada, inclusive em países onde a variante sul-africana do coronavírus talvez reduza sua eficácia, recomendou a OMS.
Foto: Tiziana Fabi/AFP

A África do Sul interrompeu a vacinação com o imunizante da AstraZeneca nesta semana, depois que dados de um pequeno ensaio mostraram que o imunizante não protegia contra doenças leves a moderadas da variante 501Y.V2 do coronavírus, atualmente predominante no país. A vacina será suspensa até que seja montado um ensaio clínico para observar sua eficácia em 100 mil pessoas, antes de escalar a aplicação.

A OMS disse que essas conclusões preliminares "destacam a necessidade urgente de uma abordagem coordenada para vigilância e avaliação de variantes" e seu impacto na eficácia da vacina. Apesar disso, o órgão ressaltou que o imunizante da AstraZeneca deve ser usado sem restrições se for o único disponível, para proteger a população mais vulnerável.

Vacina adaptada a variantes

Uma vacina mais eficaz contra variantes do coronavírus consideradas preocupantes, como a P.1 (encontrada no Brasil), pode levar de 6 a 9 meses para ser produzida, afirmou a AstraZeneca nesta quinta-feira (11).

A estimativa foi feita durante anúncio de resultados financeiros do laboratório em 2020. A necessidade de um imunizante mais adequado aos mutantes do coronavírus cresceu depois que dados iniciais mostraram proteção menor contra a variante B.1.351 (encontrada na África do Sul), em relação a casos leves e moderados da doença.

A seção europeia da OMS afirmou já foi encontrada em 19 países do continente e, embora haja pouco indício de transmissão comunitária, sua participação no aparecimento de novos surtos é crescente.

Mais pesquisas estão sendo feitas sobre a eficácia contra casos graves de Covid-19 e mortes e contra a variante P.1 -a expectativa é que o imunizante atual ofereça proteção satisfatória contra doença mais severa ou óbitos, afirmou nesta quarta (10) o grupo que aconselha a OMS.

A organização decidirá na próxima segunda (15) sobre a inclusão da vacina de Oxford/AstraZeneca em sua lista de uso emergencial (UEL), necessária para a distribuição pelo mecanismo Covax — que distribuirá imunizantes para mais de 100 países, entre eles o Brasil.

Usado já em mais de 50 países, o produto é considerado um dos mais promissores para nações mais pobres, porque é mais barato e pode ser armazenado e distribuído mais facilmente que opções mais sofisticados, como as vacinas da Pfizer/BioNTech (já aprovada pela OMS) e da Moderna.

Por que a vacina pode demorar

A adaptação da vacina de Oxford/AstraZeneca a variantes do Sars-Cov-2 é mais demorada que a de alternativas como as da Pfizer ou da Moderna, por causa da tecnologia utilizada na produção. O imunizante de Oxford exige que células sejam cultivadas por semanas, alongando o prazo de produção, enquanto as outras duas vacinas usam a tecnologia de mRNA.

O chefe de pesquisa e desenvolvimento da AstraZeneca, Mene Pangalos, afirmou ao jornal britânico Financial Times que a diferença de tecnologia implica um atraso de até seis semanas na obtenção de uma vacina adequada às variantes.

A AstraZeneca divulgou um aumento de 9% nas receitas de 2020, para US$ 26,6 bilhões (R$ 143 bi). As vendas da vacina Covid-19 representaram US$ 2 milhões (R$ 10,8 mi), segundo a empresa, e novos medicamentos representaram mais da metade da receita total. O lucro anual antes de impostos foi de US$ 3,9 bilhões (R$ 21 bilhões).

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