Vacina brasileira contra Covid-19 termina estudos pré-clínicos e depende de mais recursos

Investimento para testes em humanos é de pelo menos R$ 130 milhões; vacina é produzida 100% no Brasil e pode ter análise em humanos concluída em 12 meses

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Foto: Karim SAHIB / AFP

Uma vacina contra a Covid-19 produzida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) deve começar a ser aplicada em voluntários humanos em março e depende da continuidade de recursos para o desenvolvimento dos testes. As informações são do portal UOL

O desenvolvimento é do Centro de Tecnologia em Vacinas (CT-Vacinas) da UFMG. Com a primeira etapa da pesquisa concluída, o teste em humanos ocorre em três fases, durante 12 a 14 meses.

Segundo a coordenadora do CT-Vacinas, Ana Paula Fernandes, as duas primeiras etapas - nas quais o imunizante será avaliado em um grupo de 40 pessoas - têm custo de R$ 30 milhões. Nessas etapas, também é necessário que os laboratórios da Fundação Ezequiel Dias (Funed) sejam otimizados para a produção da vacina em escala industrial. 

Na terceira fase de testes, 20 mil voluntários receberão a vacina, possibilitando a análise da resposta imune contra o coronavírus. Conforme Fernandes, o investimento para a fase 3 deve superar R$ 100 milhões.

Dessa forma, é necessário pelo menos R$ 130 milhões para que os testes sejam realizados. A cientista afirma que o montante é menor que aqueles feitos para a transferência das tecnologias de imunizantes produzidos no exterior. 

Ana Paula ressalta que, como o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) é completamente produzido no Brasil, a vacina deve ser muito importante para o País. "Esse processo vai ser um marco histórico, que será replicado a outros processos, para que o Brasil tenha independência nessa área estratégica, que é a vacinação da população", afirmou a coordenadora.

As duas vacinas contra a Covid-19 aplicadas no País foram desenvolvidas em outros países. A vacina CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinocac, é distribuída pelo Instituto Butantan a partir de insumos importados. O imunizante produzido pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, e pela empresa AstraZeneca é distribuído pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também dependendo de IFA estrangeiro

Os dois órgãos têm contratos para a incorporação tecnológica e produção local, que ainda não foram executados.  Para a CoronaVac, a produção local depende da construção da fábrica e deve começar em dezembro. A expectativa da Fiocruz é começar a entregar vacinas 100% produzidas no país a partir de agosto

Imunizante brasileiro

O imunizante da UFMG usa vetores virais capazes de codificar proteínas do coronavírus, estimulando a produção de resposta imune sem causar a doença. A tecnologia é semelhante à da vacina de Oxford.

O desenvolvimento teve início em fevereiro de 2020, logo com o início da pandemia do país. Já foram investidos R$ 5 milhões no estudo, recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Trinta profissionais da UFMG estão envolvidos na pesquisa, que também tem apoio de pesquisadores da Fundeb, da Friocruz e da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo a coordenadora, relatórios parciais da pesquisa são enviados regularmente à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que pode acelerar a aprovação após a conclusão dos estudos.

"A vacina ainda não tem nome. Mas, como estamos construindo um processo do início ao fim, estamos chamando de vacina de raiz", afirmou Ana Paula. 

Testes em humanos

  • Fases 1 e 2: teste em 40 pessoas; duração de 6 a 8 meses; análise de reação do sistema imune e segurança
  • Fase 3: teste em 20 mil pessoas; duração de 6 meses; análise da resposta imune contra o vírus