Tiroteio que terminou com a morte de dois reféns é investigado pela PF

Troca de tiros entre suspeitos e PRF terminou com dois reféns mortos, em Chorozinho. Policiais utilizaram fuzil e pistola contra um revólver que estava na posse da dupla. Quadrilha é suspeita de cometer outros roubos

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Legenda: Tiroteio que terminou com a morte de dois reféns é investigado pela PF
Foto: Fabiane de Paula

O veículo onde estavam dois reféns e dois suspeitos de um roubo, que teriam trocado tiros com uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no município de Chorozinho, no último dia 19 de outubro, foi retirado do local antes da realização dos trabalhos periciais. Os reféns, funcionários de uma fábrica do ramo alimentício localizada na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), foram baleados e levados ao hospital, onde morreram.

A reportagem teve acesso a informações do Inquérito da Polícia Federal (PF) sobre o caso. Um policial rodoviário federal que participou da ação diz que não sabe quem deu o comando para que o veículo Volkswagen Gol, de cor prata, roubado e com as placas adulteradas, fosse retirado do local antes da perícia. A remoção foi feita por um guincho que presta serviço à PRF.

Segundo o agente de segurança, foi comentado no local que, como os feridos já tinham sido socorridos e o carro era roubado, seria necessário a remoção do automóvel, e nem sequer foi cogitado acionar peritos forenses. O veículo seria levado para a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), que investigava os criminosos. Mas, por envolver a PRF, o carro e os outros bens apreendidos terminaram sendo transportados para a sede da Polícia Federal.

Questionada acerca da remoção do veículo do local do tiroteio, a Polícia Rodoviária Federal informou, apenas na manhã desta quarta-feira (28), que "a remoção do veículo foi feita sob orientação e responsabilidade da autoridade judiciária, tendo a PRF prestado apoio durante a ocorrência".

"Por fim, a PRF esclarece que manifestações e/ou opiniões individuais de servidores não representam o posicionamento do órgão em relação a qualquer situação. Este é feito apenas através de nota oficial emitida Comunicação Social da PRF, dentro do prazo necessário para o levantamento das informações e posterior emissão de nota", completa a Instituição.

Armas

A composição da PRF que perseguiu os criminosos com os reféns e atirou contra o carro tinha três policiais, dos quais dois nunca tinham participado de uma troca de tiros, segundo os depoimentos prestados à PF. Um desses "estreantes" utilizou um fuzil calibre 556 na ação, apesar de ter em mãos também uma pistola 9mm. Enquanto o agente que já tinha se envolvido em um tiroteio usou a única arma que tinha, uma pistola 9mm. O terceiro servidor conduzia a viatura e disse que não atirou.

Os suspeitos presos e baleados na ação foram identificados como Leandro Silva do Nascimento e Edson da Silva Nascimento. Conforme as investigações, eles são suspeitos de integrar uma quadrilha de roubo de cargas, que teria subtraído alimentos de um veículo da empresa do ramo alimentício e feito reféns os funcionários Alexandre de Souza Santiago e Clodevaldo Pacheco.

Leandro já respondia por homicídio, posse ilegal de arma de fogo e corrupção de menor. Já Edson teve que ficar hospitalizado após o tiroteio. A dupla foi autuada por tentativa de homicídio, resistência, roubo, receptação e porte ilegal de arma de fogo. No dia seguinte à tragédia, a Justiça Federal converteu a prisão em flagrante dos dois homens em prisão preventiva.

Com a dupla, foram apreendidos um revólver calibre 38, o veículo Gol e três aparelhos celulares. Há uma inconsistência no registro da ocorrência, entretanto. Também teriam sido apreendidas cinco munições calibre 38 com os suspeitos, mas os policiais registraram três munições deflagradas e outras três intactas.

O fuzil e as duas pistolas da PRF e o revólver que estava na posse dos suspeitos irão passar por perícia para identificar de onde partiram os tiros que tiraram a vida de Alexandre e Clodevaldo. Em depoimento, Leandro Nascimento negou que tenha atirado sequer contra a composição policial. Já os policiais garantem que reagiram a uma "injusta agressão".

Crimes

Além do roubo da carga alimentícia que terminou com as mortes dos dois reféns, a dupla presa e os comparsas são suspeitos de invadir uma churrascaria e roubar funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) em expediente, que almoçavam no local, subtraindo um veículo Fiat Toro e objetos pessoais, na mesma manhã do dia 19, próximo a Chorozinho. Pouco tempo depois, o automóvel foi encontrado abandonado, em uma estrada em meio a um matagal, em Quixadá.

A quadrilha era investigada pela Polícia Civil desde o dia 15 de outubro deste ano, quando uma carga foi roubada de um veículo Fiat Fiorino e um homem foi feito refém, dentro desse automóvel, até a mercadoria ser descarregada. Depois, o veículo foi abandonado e encontrado pela própria PRF na altura do Km 12 da BR-116. Conforme as investigações, o mesmo carro Gol, de cor prata, era utilizado pelos criminosos.

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