Pefoce levanta indícios de que adolescente de 12 anos foi morto por tiro de policial

O adolescente foi baleado em uma tentativa de fuga do seu pai, suspeito de matar outro homem após uma discussão

Composições das polícias Civil e Militar participaram da operação, que tinha o objetivo de prender Wandiney Matos
Legenda: Composições das polícias Civil e Militar participaram da operação, que tinha o objetivo de prender Wandiney Matos
Foto: Brenda Albuquerque

A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) levantou indícios de que Kauã Viana Sales, de 12 anos, foi morto por um tiro efetuado por um policial, na Rua M do bairro Metrópole Sul, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), na última sexta-feira (11). O adolescente foi baleado em uma tentativa de fuga do seu pai, suspeito de matar outro homem após uma discussão.

Um relatório elaborado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e obtido pelo Sistema Verdes Mares, traz que a os peritos forenses apreenderam 21 estojos de calibre Ponto 40 (pistola), cinco estojos calibre 5.56 (fuzil) e uma barra de ferro. Conforme as investigações, o pai de Kauã, identificado como Wandiney Sales Matos, utilizou uma espingarda calibre 32 para matar o desafeto.

A Pefoce constatou ainda que o veículo Fiat Palio, de cor preta, utilizado por Wandiney para tentar fugir, foi atingido por disparos de arma de fogo na parte frontal e traseira, todos tendo sido disparados de fora para dentro do automóvel

O jovem Kauã, que estava no banco traseiro, sofreu um disparo fatal, na parte de trás da cabeça. Wandiney foi baleado no braço e na mão. A sogra e outro filho do suspeito também foram baleados e socorridos ao hospital.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Socia (SSPDS), afirmou que foram instaurados um auto de prisão em flagrante por homicídio e um inquérito policial para investigar a atuação de policiais civis e militares durante a ocorrência. Conforme a SSPDS, os levantamentos preliminares no local do fato foram realizados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Oitivas dos profissionais de segurança envolvidos e de testemunhas foram realizadas na sede do DHPP, em Fortaleza. As diligências coordenadas pela Polícia Civil seguem em andamento.

Já a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) informou que determinou a instauração de procedimento disciplinar para devida apuração dos fatos na seara administrativa. "O inquérito policial está sob a responsabilidade da Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP)", disse o órgão em nota.

DHPP pede informações e exames em policiais

Composições das polícias Civil e Militar participaram da operação, que tinha o objetivo de prender Wandiney Matos. Após o tiroteio, algumas delas deixaram o local. Então, o DHPP pediu ao coordenador da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) a relação de todas as viaturas policiais que estiveram na ocorrência, com base no sistema de georreferenciamento (GPS).

Já para a Pefoce, o Departamento de Homicídios solicitou a realização de exame residuográfico e/ou parafina em pelo menos 12 policiais, que compareceram à Delegacia após a intervenção policial e negaram que tenham efetuado disparos contra o veículo. Os pedidos foram elaborados no último sábado (12).

Justiça decreta prisão preventiva de pai de adolescente

Wandiney Matos foi preso em flagrante por suspeita de matar o vigilante Herlando Andrade da Silva a tiros, na tarde da última sexta (11). A Justiça Estadual converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, no domingo (13).

"Verifico que resta evidenciada a periculosidade concreta do flagranteado, ante a gravidade dos delitos praticados, os quais se tratam de posse irregular de arma de fogo, do tipo, espingarda calibre 32, e homicídio supostamente decorrente de motivo fútil, uma vez que se tratava de briga entre vizinhos", justificou o juiz.

O magistrado acatou parecer do Ministério Público do Ceará (MPCE). Já a Defendoria Pública do Ceará pediu a soltura do preso, com aplicação de medidas cautelares, por entender que Wandiney é réu primário, não possui antecedentes criminais e possui endereço fixo.

Polícia Militar foi ao local horas antes do homicídio

Conforme testemunhas, Wandiney matou Herlando após uma briga. A vítima não morava na região, mas era parente de moradores que já tinham se desentendido com o suspeito. Horas antes do crime, a Polícia Militar foi acionada por vizinhos, esteve no local, conversou com as partes, mas não conseguiu evitar o homicídio.

O suspeito teria arrastado o desafeto para dentro de casa e atirado com a espingarda calibre 32 contra ele. Familiares de Herlando tentaram invadir a residência, mas não conseguiram. A Polícia Civil chegou ao local, em seguida a PM. Os policiais tentaram convencer Wandiney de se entregar. Até que o homem derrubou o portão do próprio imóvel com o veículo Fiat Palio, na companhia da mulher, dos dois filhos e da sogra. E tiros foram disparados contra o automóvel, baleando Wandiney na mão, a sogra dele e matando o filho adolescente com um tiro na cabeça.

O advogado Kaio Castro, coordenador jurídico do Sindicato dos Policiais Civis e de Carreira do Estado do Ceará, afirmou que "os policiais civis foram os primeiros a chegarem no local para averiguar uma denuncia que receberam na Delegacia tendo logo em seguida realizado a primeira abordagem enquanto o individuo  ainda se encontrava  no interior da residência. Após a tentativa de fuga do criminoso os policiais civis não reagiram a investida do individuo. Os policiais civis foram ouvidos nos dois inquéritos instaurados e a própria defesa requereu a perícia  nas armas e o exame residuográfico, tendo a plena certeza do dever cumprido nos limites da sua atuação". 

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