Motorista de aplicativo que matou namorada grávida é levado a júri popular, decide Justiça

Wando de Vasconcelos matou, carbonizou o corpo e fingiu o sequestro de Maria Efigênia Soares, de 28 anos

Escrito por Redação,

Segurança
Maria Efigênia Soares, universitária de 28 anos, foi morta pelo namorado
Legenda: Conforme a Polícia, Maria Efigênia Soares, 28, estava grávida de seis semanas de Wando Cordeiro Vasconcelos. Ele, por não aceitar a gestação, premeditou o crime
Foto: Reprodução

O motorista de aplicativo acusado de matar a namorada grávida, Wando Cordeiro de Vasconcelos, de 35 anos, será levado a júri popular, conforme determinado pelo Juízo da 5ª Vara do Júri de Fortaleza nesta quarta-feira (19). 

O crime ocorreu em 13 de janeiro. A vítima, Maria Efigênia Soares, de 28 anos, estudava fisioterapia e estava grávida de seis semanas de Wando. Ela teve o corpo carbonizado e abandonado no município de Chorozinho, na Grande Fortaleza, às margens da BR-116.

Segundo as investigações policiais, Wando não aceitava a gravidez e premeditou o crime. Ele foi preso em 14 de janeiro, pela Polícia Civil do Ceará, e indicou o local onde havia deixado o corpo. 

Os policiais encontraram Wando após rastrear as ligações que Efigênia recebeu no dia que desapareceu. Ele foi localizado em Pacajus e estava com o celular da vítima. Em depoimento, o motorista de aplicativo negou a motivação e informou que esteve com a vítima no dia do desaparecimento, mas a deixou em uma casa no bairro Planalto Ayrton Senna.

Ele foi autuado por homicídio com qualificadores de motivo torpe, meio da morte por asfixia, impossibilidade de defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver.

Em 22 de janeiro, o Ministério Público apresentou denúncia contra Vasconcelos, aceita pela justiça em 25 do mesmo mês. 

A defesa chegou a pedir revogação da prisão, alegando que Wando não tem antecedentes criminais, tem endereço fixo e profissão definida, mas o pedido foi indeferido pela Justiça. 

Na decisão de levar o réu a júri popular, o Juízo da 5ª Vara do Júri de Fortaleza indica a necessidade em consequência do crime conexo. E aponta que está provada a materialidade dos delitos, "diante dos indícios de autoria constantes nos autos". 

A defesa de Wando, representada pelos advogados criminalistas Rodrigo Colares Freire e Paulo Souza Barbosa Neto, informa que irá recorrer da decisão porque "as provas que estão sendo utilizadas, são, além de contraditórias, ilegais e não comprovam que o crime foi cometido pelo mesmo". 

“Não lhe foi permitido apresentar testemunhas para provar sua inocência (ouvidas somente as de acusação) e não lhe foi oportunizado acompanhar ou apresentar quesitos às perícias. Ademais, durante muito tempo, por erro da própria Vara, Wando foi processado sem ter defensor/advogado, o que é proibido por lei", descrevem os advogados.

A defesa afirma ainda que os policiais que disseram que Wando confessou o delito estão sendo investigados pela Controladoria Geral de Disciplina, por constar nos autos agressão e atos violentos praticados contra Wando; que as perícias concluíram que o veículo do réu não esteve no local em que o corpo da vítima foi encontrado; e que não foi constatada localização idêntica dos celulares dos mesmos na hora do crime. 

Estudante de fisioterapia 

Em entrevista ao Diário do Nordeste, na época do crime, familiares da universitária afirmaram que não sabiam do relacionamento da de Efigênia com o suspeito.

A mãe de Efigênia, Jaqueline Santana, contou que a filha saiu de casa na noite de 13 de janeiro, no bairro José Walter, em Fortaleza, informando que iria a um supermercado, e não retornou. 

O réu forjou o sequestro da mulher e enviou mensagem para a família dela fingindo ser integrante de uma facção criminosa e pediu R$ 20 mil de resgate para "liberá-la". As investigações apontam que o Wando trafegou cerca de 50 quilômetros com o corpo da vítima no carro, até abandoná-lo às margens da BR-116. 

A família soube da morte da estudante pela Divisão Anti-Sequestro (DAS), que investigava o desaparecimento da universitária. "Eu tava triste, mas, ao mesmo tempo, estava acreditando em Deus. Quando foi de tardezinha, entrando pela noite, o delegado me deu a notícia que o cara que tava com ela havia matado. Ele (suspeito) quis dizer que ela tava envolvida em coisa errada, ele quis induzir as pessoas a acreditarem que ela estava envolvida em coisa errada", relatou a mãe da universitária.