Facção ordenou chacina no Dias Macedo; veja imagens do atentado dentro do posto de saúde

Dentre as vítimas está um homem de 58 anos de idade que havia ido ao posto de saúde para mostrar exames e se vacinar

Escrito por Emanoela Campelo de Melo, emanoela.campelo@svm.com.br

Segurança
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Legenda: Houve troca de tiros dentro do posto de saúde. Sete pessoas foram atingidas, três morreram ainda no local
Foto: Reprodução

As mortes múltiplas ocorridas no bairro Dias Macedo, nessa quarta-feira (18), estavam programadas para acontecer. Instantes antes de três pessoas serem assassinadas dentro e no entorno do Posto de Saúde Edmar Fujita, homens armados se reuniram com intuito de buscar "os pilantras que rasgaram a camisa", se referindo a saída da facção criminosa a qual pertenciam. Um dos suspeitos preso estava com tornozeleira eletrônica e precisava matar alguém para "provar lealdade" a facção dele.

Nesta quinta-feira (19), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que as vítimas que foram alvos da ação tentaram fugir do local, mas houve uma troca de tiros dentro do prédio. "Os dois homens estavam com dez dias de saída da prisão e possuíam antecedentes por homicídio doloso, tráfico de drogas e roubos", comunicou a Pasta.

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Legenda: Dezenas de pessoas estavam no posto de saúde no momento do tiroteio.
Foto: Kid Júnior

Já a terceira vítima assassinada foi Francisco Egino Alves. O mestre de obras, de 58 anos, estava na unidade de saúde para mostrar exames e se vacinar. Ele não tinha nenhuma relação com as demais vítimas e criminosos.

Um homem identificado até o momento apenas como Francisco, o 'Miau', é quem teria apontado aos atiradores quem eram os alvos da matança

Um dos filhos de Egino acompanhava o homem ao posto. "Quando começou o tiroteio eu estava um pouco atrás dele. Queria estar do lado, queria eu ter morrido. Se eu tivesse mais perto tinha pego em mim e eu tinha salvado meu pai. Ainda gritei: reage, pai, reage"

Outras quatro pessoas ficaram feridas e foram levadas para unidades de saúde.

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Legenda: Homens armados invadiram o posto ao saberem que seus desafetos estavam no local
Foto: Reprodução

Um homem identificado apenas como Leandro é quem teria fornecido as armas.


INVESTIGAÇÃO

Instantes após o crime, Jairo Lima Rodrigues, de 27 anos, e Johnatan Alves Vieira, 22, foram presos. Nas residências dos suspeitos foram encontradas munições de arma de fogo, roupas usadas na ação, balança de precisão, documentos, cartões de crédito, um celular e pequena quantidade de drogas.

Os suspeitos se negaram a dizer quem especificamente ordenou a chacina. De acordo com policiais civis, Johnatan teria resistido à prisão e foi preciso uso moderado da força para detê-lo.

A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso ao depoimento prestado por Jairo. À Polícia, ele disse que recebeu a ordem para cometer o crime, porque precisava ter homicídios na sua ficha e deveria mostrar quem comandava o território do Dias Macedo.

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Legenda: Câmeras de segurança flagraram um dos suspeitos fugindo após efetuar disparos
Foto: Reprodução

Jairo era monitorado por tornozeleira eletrônica quando foi preso. Ele tem antecedente criminal por roubo.

Jairo Lima ainda teria dito que foi Johnatan quem o chamou "para derrubar os pilantras que estavam no posto de saúde", porque líderes da facção haviam autorizado as execuções.

Os suspeitos foram localizados ainda no entorno do local do crime. Um deles estava em casa, a 500 metros, e já tinha tirado a barba com intenção de dificultar o reconhecimento por parte das autoridades.

Segundo a SSPDS, uma terceira pessoa foi conduzida à delegacia, ouvida e liberada "por não haver situação flagrancial".

REFORÇO NA SEGURANÇA

Após o triplo homicídio no posto, o prefeito de Fortaleza, José Sarto, disse estudar a possibilidade de incluir um sistema de videomonitoramento nos equipamentos.