Diretora do Presídio Militar é exonerada do cargo após pedido para militares presos irem para casa

Parte dos policiais e bombeiros militares que estão sob custódia seriam transferidos para prisão domiciliar, durante uma reforma do prédio, se o pedido fosse aceito pela Justiça. Polícia Militar desistiu antes da decisão judicial

Imagem do presídio militar do Estado do Ceará
Legenda: O presídio existe há quase 50 anos e funciona na sede do 5º BPM, no Centro da Capital
Foto: Natinho Rodrigues

A Polícia Militar do Ceará (PMCE) exonerou a tenente-coronel Keydna Alves Lima Carneiro do cargo de diretora do Presídio Militar. A decisão, assinada pelo comandante-geral da Corporação, coronel Francisco Márcio de Oliveira, ocorreu horas depois da veiculação da reportagem mostrando que a oficial pediu à Justiça Estadual que parte dos policiais e bombeiros militares presos no equipamento fossem transferidos para prisão domiciliar, durante uma reforma do prédio.

A exoneração foi publicada no Boletim do Comando Geral da PMCE, na noite da última quarta-feira (18). A tenente-coronel Keydna Carneiro foi transferida para a Coordenadoria dos Colégios da Polícia Militar (CCPM). Enquanto o tenente-coronel Vicente de Paula Coelho assumiu a direção do Presídio Militar.

Antes da exoneração, a Polícia Militar revelou, na tarde da quarta (18), que já havia entrado em contato com a Vara de Auditoria Militar para desistir do pedido realizado pela então diretora do Presídio. Segundo a PMCE, "foi prevista a movimentação dos presos no interior do próprio equipamento, para outros cômodos que estejam em condições de acomodá-los".

Questionada sobre a exoneração nesta quinta (19), a Polícia Militar do Ceará informou, em nota, que "movimentação e designação de oficiais nas unidades da Corporação fazem parte dos remanejamentos normais da administração Policial Militar". A oficial também foi procurada, mas não quis comentar a decisão.

Na manhã da última quarta (18), o Diário do Nordeste publicou o pedido da então diretora do Presídio para transferir parte dos presos para prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, por 60 dias, diante da "reforma ampla e estrutural" que o prédio irá passar e da preocupação com o contágio da nova variante Delta da Covid-19 e com um novo surto da doença no Presídio.

A reportagem apurou que o Presídio, que funciona no 5º Batalhão de Policiamento Militar (BPM), no Centro de Fortaleza, possui cerca de 60 militares em custódia. A maioria deles é preso provisório e a minoria tem condenação. No prédio, há agentes de segurança acusados de participar de diversos crimes, como extorsão, tráfico de drogas, organização criminosa e homicídios (inclusive chacinas).

Prédio que abriga Presídio tem mais de 90 anos

O prédio que abriga o Presídio Militar, localizado na Praça José Bonifácio, no Centro de Fortaleza teve a construção finalizada em 1927, mas somente passou a funcionar como Batalhão da PMCE em 1972. O Quartel divide espaço com o Comando de Policiamento da Capital (CPC), com a Coordenadoria de Gestão de Operações (CGO), dentre outros.

No início deste ano, um relatório apontou que seria necessário reforçar o policiamento no estabelecimento prisional com mais dezenas de policiais. A reforma visa melhorar as instalações do Presídio.

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