'Sobral Solar' revela história da 'Princesa do Norte'

Nascida da 'Civilização do Couro' e desenvolveu um sentimento depois traduzido como 'sobralidade'

"Sobral Solar", livro lançado pela Secretaria de Cultura e do Turismo do Município, retrata a história da cidade que nasceu marcada pelo brilho das águas do Rio Acaraú e pela sombra da Serra da Meruoca. A história mostra que, no correr do século XVIII, os currais começaram a tomar forma de fazendas. As capelas, igrejas e casa de fazendas tornaram-se pontos de convergência e, posteriormente, formaram povoações. Sobral é filha legítima daquilo que o historiador cearense Capistrano de Abreu chamou de "Civilização do Couro".

Em 1773, o povoado de Caiçara foi elevado à condição de vila, agora com o nome de Vila Distinta e Real de Sobral. Segundo o livro "Sobral Solar", "distinta porque não surgiu de aldeamentos indígenas; real porque criada por ordem emanada diretamente de sua majestade. Nasceu orgulhosa a Vila de Sobral, de um orgulho que ao longo de séculos. Transformou-se no sentimento que hoje se diz sobralidade, que fez de meia dúzia de taperas das beiradas do Acaraú a importante Princesa do Norte".

Com o passar do tempo, a vila continuava crescendo. Construiu a sua igreja matriz, atual catedral, concluída em 1783. Após cinco décadas, já era o centro comercial que pontificava na região Norte do Ceará. Em 1841, a vila á elevada à condição de cidade. Surge um novo ciclo de progresso com a implantação de varias indústrias de porte voltadas para o beneficiamento do algodão, com via férrea e porto. No século XX, experimenta novo surto desenvolvimentista.

Sobral emprestou forças conservadoras e revolucionárias à política do Ceará. Vale o destaque: "Foi daqui que saiu Gonçalo Ignacio de Loyola Albuquerque e Melo, o Padre Mororó, legalista em 1817 e altiva voz revolucionária em 1824, junto a Francisco Miguel Pereira Ibiapina e ao coronel João de Andrade Pessoa Anta, este último vindo da Granja, os três arcabuzados como líderes da Confederação do Equador".

Religiosidade

Segundo a publicação, "a matriz popular da religiosidade do Nordeste é sobralense. Foi de Antônio Maria Ibiapina, o peregrino dos sertões, o construtor das casas de caridade, que foi se espalhando esse catolicismo popular, que teve seu apogeu nas experiências de Canudos, com Antônio Conselheiro, e em Juazeiro do Norte, com padre Cícero Romão Batista e seus discípulos do Caldeirão, liderados por José Lourenço". Padre Ibiapina, prossegue a publicação, "foi a fonte onde beberam estes e os peregrinos do Nordeste, criando para o povo uma nova religião. Melhor, fazendo com que o povo transformasse o catolicismo romano no seu catolicismo, na sua religião nordestina, popularizada".

"Sobral Solar" é uma publicação coordenada pela Prefeitura de Sobral, com projeto editorial da Terra Luz Editorial, coordenação editorial de Patrícia Veloso e diversas outras contribuições.