Moradores protestam contra aterro
Moradores dos sítios Timbaúba e Muquém, no município de Acopiara, realizaram na manhã de ontem, um protesto contra o funcionamento do aterro sanitário. Os manifestantes impediram a passagem de veículos para o despejo de lixo. Eles se mostram preocupados com a possibilidade de poluição de açudes e rios e prometem ficar mobilizados por tempo indeterminado.
O clima é de revolta entre os moradores. “Não vamos deixar mais nenhum caminhão passar por aqui”, disse Manoel Felício Neto. “Nós estamos prejudicados”. As famílias temem que o lixo depositado no aterro atinja o Açude Grande, na Timbaúba dos Nunes, que está localizado próximo à área de depósito dos dejetos, numa parte mais baixa. “Mais de 200 famílias vivem desse açude”, disse José Ribeiro Neto.
Além do açude da Timbaúba, a área é ponto de nascente do Rio Tatira, que deságua no Rio Fae, e do Rio Quincoé, afluente do Trussu. De acordo com os moradores, dez açudes podem ser prejudicados no decorrer do tempo. Todos esses cursos de água são afluentes do Rio Jaguaribe e do Açude Orós. Para os moradores, o aterro está localizado numa área inadequada. As famílias também reclamam que a obra não foi construída adequadamente, pois não dispõe de drenagem e filtros de areia. No inverno deste ano, parte do muro de contenção arrombou, mas a parede foi recuperada.
Em agosto passado, foi realizada no Centro Pastoral, uma audiência pública para tratar da questão. A implantação do aterro foi precedida de uma primeira audiência pública, no Fórum, com representantes do Ministério Público, da comunidade e da Prefeitura. Com os dados técnicos em mãos, prevaleceu a liberação para construção da obra.
O aterro sanitário do município de Acopiara tem licença de operação da Semace, com validade para até março de 2005. Antes, o lixo era depositado às margens da rodovia CE–060, conhecida Estrada do Algodão. No final da manhã de ontem, o secretário de Agricultura de Acopiara, Roquelane Teixeira, esteve discutindo com os manifestantes. Teixeira disse que o trator da Prefeitura estava quebrado, há dois dias, mas que na tarde de ontem ainda iria ao aterro para cobertura do lixo. Os moradores dizem que há 15 dias, o trator não faz a cobertura do lixo. Eles reafirmaram para o secretário Roquelane Teixeira a disposição em impedir o despejo do entulho. “Aqui não colocam mais nada”, disse Semião Serafim. O secretário Roquelane Teixeria retrucou: “Esse aterro tem autorização da Semace, foi construído dentro dos padrões técnicos e por isso vai funcionar normalmente”. Ele avisou que caso os moradores mantenham o movimento, a Prefeitura vai procurar a Justiça. O secretário garantiu que não há risco de poluição de açudes e rios.
Honório Barbosa
enviado a Acopiara