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Mauro Filho diz estar sofrendo 'perseguição política' por ter se recusado a 'trair Ciro'

O parlamentar integrava ala governista, mas mudou de posição em 2026 para seguir Ciro Gomes, aliado, segundo ele, há mais de 40 anos.

Escrito por Ingrid Campos ingrid.campos@svm.com.br
24 de Junho de 2026 - 17:11
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Legenda: Deputado participou do Café com a Oposição na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) nesta quarta (24).
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados.

deputado federal Mauro Filho (União) disse, nesta quarta-feira (24), que tem sofrido “perseguição política” desde que deixou a base do governador Elmano de Freitas (PT) para apoiar a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo. A declaração foi dada após o Café com a Oposição na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

O parlamentar integrava a ala governista, mas mudou de posição em 2026 para seguir o aliado de, segundo ele, mais de 40 anos. O movimento foi marcado pela sua saída do PDT e filiação ao União Brasil, em abril.

Todo mundo está em cima dos meus companheiros para eles me deixarem. Eu achava que a pressão devia ser para os prefeitos votarem no governador deles, o Elmano. Aí seria legítimo fazer isso. Agora, um cara que contribuiu 30 anos para o Estado do Ceará e, de uma hora para outra, ser perseguido estritamente porque não conseguiria trair o Ciro Gomes, que é meu companheiro há 40 anos... 
Mauro Filho (União)
Deputado federal

Apesar da ofensiva do governo sobre suas bases, segundo ele, o deputado relata que a posição dos prefeitos que já declararam apoio a Ciro está consolidada, com destaque para Edilberto Beserra (PSB), de Acarape. Inclusive, ainda segundo Mauro Filho, o colega deve se filiar ao PSDB em breve. Além dele, vários outros prefeitos estão em diálogo para mudar de base, complementa. 

A reportagem buscou o prefeito para mais detalhes sobre a movimentação e aguarda retorno. 

O ex-pedetista é um dos mais fiéis aliados dos ex-governadores Ciro Gomes (PSDB) e Cid Gomes (PSB), que compõem grupos adversários desde a eleição de 2022. À época do rompimento entre os irmãos, Mauro Filho tentou ser um polo conciliador, contudo, Ciro e Cid seguem rompidos.

Críticas a Elmano

Ex-secretário da Fazenda do Governo Camilo Santana, Mauro Filho tem tecido críticas à gestão de Elmano. O conflito se intensificou após o deputado declarar que o Ceará está “sem condições financeiras de continuar” e enfrenta uma perspectiva de "quebradeira", em entrevista ao Jornal Jangadeiro.

Nessa terça-feira (23), durante entrevista coletiva em Nova Russas, o governador rebateu as falas do ex-aliado, chamando-as de "discurso eleitoral" e sugerindo que Mauro "volte a estudar". Na mesma data, o secretário estadual da Fazenda, Fabrízio Gomes, classificou as críticas como "inverdades".

À imprensa, nesta quarta-feira, Mauro Filho manteve suas críticas e rebateu Elmano, dizendo que o governador responde com agressividade por ter "ciúme" de sua formação acadêmica.

O PontoPoder buscou o governador Elmano de Freitas a respeito das críticas. Se houver retorno, a matéria será atualizada.

Junto a deputados de oposição, Mauro Filho discutiu temas como a proposta orçamentária do governo e segurança pública.
Legenda: Junto a deputados de oposição, Mauro Filho discutiu temas como a proposta orçamentária do governo e segurança pública.
Foto: Ingrid Campos/SVM.

O ex-secretário também acusou Fabrízio Gomes de usar o argumento da "receita corrente menos despesa corrente" para mascarar o déficit primário, retirando os investimentos do cálculo para encontrar um número superavitário. “Eu conheço o secretário Fabrízio, ele é um cara que tenta fazer as coisas certas. Mas, obviamente, em um ano político, ele está sendo pressionado para dizer certas coisas”, disse.

Em contato com o PontoPoder, Fabrízio Gomes se pronunciou novamente, negando sofrer pressão política do governo e destacando sua trajetória na área fiscal. “Eu não tenho por que ser pressionado. Estou com Elmano e Camilo, mas o meu maior compromisso é com o estado do Ceará. É como ele mesmo disse: é ano político, e ele está usando argumentos políticos também. Sou técnico, não sou filiado a partidos, não tenho pretensões políticas”, pontuou.

Ele explicou, ainda, que a Secretaria da Fazenda (Sefaz) segue cálculos exigidos pelo próprio Tesouro Nacional. “A gente tirou uma diretriz que vinha da época de secretário dele, que não era ilegal, mas retirava o investimento do cálculo do resultado primário. Então, isso meio que melhorava o resultado naquela época, mas o Tesouro Nacional não aceitava isso e o TCE também não”, complementou. 

O secretário reforçou que houve déficit primário durante a gestão de Mauro Filho, e o mesmo aconteceu no ano passado, mas isso não indica desequilíbrio nas contas do governo. 

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