Planalto confirma dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios

Presidente Jair Bolsonaro confirma que Onyx Lorenzoni deixa a Casa Civil, que passará a ser comandada pelo general Braga Netto, e vai assumir o Ministério da Cidadania, após a saída de Osmar Terra, que retoma mandato na Câmara

Legenda: Onyx Lorenzoni disse que, no Governo, "não importa o número da camiseta" de cada integram
Foto: Foto: Agência Brasil

A minirreforma ministerial deslanchou, ontem, com a confirmação pelo presidente Jair Bolsonaro de que o ministro Onyx Lorenzoni sairá da Casa Civil para o Ministério da Cidadania e que o general Walter Souza Braga Netto será o substituto de Onyx na Casa Civil. Já Osmar Terra, que chefia a Cidadania, retomará seu mandato na Câmara dos Deputados.

Bolsonaro agradeceu a Terra por sua "dedicação" e afirmou que seu trabalho terá "continuidade" na Câmara dos Deputados. O presidente informou ainda que a cerimônia de transmissão dos cargos ocorrerá às 15h da terça-feira da semana que vem, no Palácio do Planalto.

As trocas foram divulgadas nas redes sociais do presidente. Na semana passada, Bolsonaro tirou Gustavo Canuto do Desenvolvimento Regional e nomeou Rogério Marinho como ministro. Canuto assumiu a presidência da Dataprev.

Osmar Terra agradeceu ao presidente pela oportunidade de ter chefiado a Pasta. Terra cumpre mandato pelo MDB gaúcho. "Estarei onde for mais importante para o Governo e para o presidente Jair Bolsonaro", tuitou.

Na Cidadania, Onyx terá a missão de comandar o Bolsa Família, programa de distribuição de renda do Governo. Terra enfrentava críticas por não conseguir levar adiante uma reformulação do programa, o que agora deve ser tocado pelo novo ministro.

Onyx chamou o presidente de "líder" e afirmou que, no Governo, "não importa o número da camiseta" de cada integrante. "O time Bolsonaro é humilde, é unido e é forte. O presidente me entrega hoje uma nova missão que eu vou cumprir com o mesmo zelo, a mesma dedicação e o mesmo empenho, para melhorar e transformar a vida dos brasileiros e das brasileiras".

Coordenação

No lugar de Onyx, assumirá o general Walter Braga Netto, chefe do Estado Maior do Exército. Segundo Bolsonaro, a missão mais importante de Braga Netto na Casa Civil é coordenar, conversar com os ministros, buscar soluções.

"Falo muito em se antecipar a problemas. Em havendo qualquer coisa que possa não dar certo, que pode acontecer, que o ministro, às vezes, tem algum problema, e ele está lá pra ajudar e se antecipar a esses casos que possam não beneficiar a administração".

Onyx teve suas funções esvaziadas desde 2019 após sofrer seguidos desgastes políticos. Nas últimas semanas, Bolsonaro já dava sinais de que queria uma pessoa operacional, com perfil militar, para conduzir a coordenação do Governo.

Núcleo militar

Nos bastidores, interlocutores do presidente atribuem o agravamento do desgaste de Onyx ao embate entre ele e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos que, desde meados de 2019, assumiu a articulação com o Congresso.

Onyx nunca se conformou em ter perdido essa função para um militar. Tudo piorou no mês passado, quando o ministro estava de férias nos EUA e o então secretário executivo da Casa Civil, Vicente Santini, usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar à Suíça e à Índia. Santini foi demitido por Bolsonaro.

Além disso, por ordem do presidente, Onyx teve de entregar o comando do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para o Ministério da Economia.

Bolsonaro já dava sinais de que queria um "perfil militar" para conduzir a coordenação do Governo. Braga Netto é visto como um dos generais mais disciplinados de sua geração e teve na intervenção militar na segurança do Rio o ponto alto de sua carreira até aqui.

Problemas não faltaram: mortes de civis em favelas e o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista ocorreram quando Braga Netto era responsável pelas forças policiais fluminenses.

Pesquisa sobre 2022

Jair Bolsonaro ampliou a vantagem sobre os seus prováveis rivais no primeiro turno da eleição presidencial de 2022, apontou, ontem, nova pesquisa eleitoral Veja/FSB. Ele oscilou para cima, no limite da margem de erro de dois pontos porcentuais – de 33% para 37% -, enquanto outros presidenciáveis ficaram estagnados.

Ministério da Amazônia

Bolsonaro disse, ontem, que pode analisar a proposta de criar um ministério extraordinário para cuidar da Amazônia, apresentada a ele pelo deputado Átila Lins (PP-AM). “Vou levar para estudar, não posso resolver aqui, agora. Envolve despesa, o impacto negativo de mais um ministério”.

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