Pesquisa mede aprovação dos gestores públicos na pandemia

Ações implementadas pelo governador Camilo Santana têm apoio de 79% da população, as medidas do prefeito Roberto Cláudio são aprovadas por 73% e a atuação do presidente Jair Bolsonaro é bem avaliada por 38% dos cearenses

Legenda: Ao todo, 1,4 mil cearenses foram entrevistados sobre a atuação dos gestores durante a pandemia
Foto: Helene Santos

Pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Opnus e contratada pelo Sistema Verdes Mares (SVM) mostra a avaliação da atuação dos governantes, nos três níveis de poder, durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo os dados, as medidas adotadas pelo governador Camilo Santana (PT) têm a aprovação de 79% da população cearense. Em relação ao prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), 73% aprovam as medidas. Já a avaliação da atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revela a aprovação de 38% dos entrevistados no levantamento.

A pesquisa foi realizada por meio de ligações telefônicas entre os dias 23 e 26 de julho. O Instituto Opnus entrevistou 1.408 pessoas em todas as regiões do Ceará. O intervalo de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro máxima, de 2,6 pontos percentuais para mais ou menos.

Apesar de ainda ter um índice de desaprovação (53%) superior ao de aprovação (38%), Bolsonaro tem apresentado tendência de melhora na popularidade em relação à atuação na pandemia, segundo o diretor do Instituto Opnus e cientista político, Pedro Barbosa.

Ele diz que, embora o presidente tenha "uma atuação, uma linha de discurso bem contrária a da maioria dos gestores, até no âmbito internacional", durante a pandemia, durante a crise sanitária foi aprovada "uma medida que teve um impacto muito forte": o auxílio emergencial pago a trabalhadores e a famílias que tiveram a renda afetada durante a pandemia. "Foi um recurso injetado diretamente no bolso das famílias. Então, melhorou a imagem dele", ressalta.

A aprovação do presidente cresce quando analisados alguns segmentos. O maior índice ocorre entre homens (42%) e entre aqueles que se declaram evangélicos (54%). "Pela pesquisa, ele está em avaliação mais positiva nos grupos que têm tendência de apoio a ele desde antes da pandemia", diz Barbosa. Enquanto isso, as maiores desaprovações estão entre cearenses com nível superior (63%) e os que possuem renda média de mais de cinco salários mínimos (78%).

Estado

A pesquisa avalia um momento em que as regiões do Estado enfrentam momentos distintos de combate à Covid-19. Na Capital, o planejamento de retomada das atividades econômicas está avançado, enquanto outros municípios ainda enfrentam determinações mais rígidas de isolamento social, como ocorre no Cariri.

Ainda assim, a avaliação do governador Camilo Santana permanece alta. Enquanto a aprovação da atuação durante a pandemia é bem avaliada por 79% dos cearenses ouvidos, 15% desaprovam. Os que não souberam /não responderam representam 6%.

Nas regiões do Estado, há diferenças na avaliação. Os maiores índices de aprovação do chefe do Executivo estadual festão entre moradores de Fortaleza (80%) e do Cariri e do Centro Sul (87%). No Litoral Leste e Vale do Jaguaribe, ele teve índice mais baixo: 65%.

O cientista político Pedro Barbosa observa que teve relevância o trabalho em conjunto entre Estado e municípios. "Não tem existido conflito", cita. "E mesmo com o grande tempo das medidas de combate à pandemia, as pessoas continuam aprovando", completa.

Municípios

O Instituto avaliou a aprovação dos prefeitos no período do coronavírus. A média da aprovação foi de 63%, enquanto 29% desaprovam o gestor do município em que vivem. Entrevistados que não souberam ou não responderam somaram 8%.

A Região Metropolitana - sem Fortaleza - foi onde a população deu "notas" mais baixas aos gestores municipais, com aprovação de apenas 48%. Outros 39% desaprovam.

Capital

Em Fortaleza, o índice positivo do prefeito Roberto Cláudio foi superior à média dos colegas dos demais municípios. Ações adotadas pela Prefeitura são aprovadas por 73%. No entanto, 21% afirmaram desaprovar a atuação do gestor na pandemia. 6% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

"Em especial em Fortaleza, foram adotadas medidas muito rigorosas, que poderíamos imaginar que eram medidas impopulares e tiveram impactos principalmente econômicos", sugere o especialista do Instituto Opnus, para complementar: "é uma característica interessante da população: apesar das dificuldades que a pandemia trouxe, os cearenses entendem que é um momento de sacrificar o que consideram importante por uma necessidade de saúde pública", argumenta Pedro Barbosa.

Legenda: Na pandemia, Jair Bolsonaro tem buscado se aproximar do Nordeste
Foto: Helene Santos

Acenos positivos

Cientistas entrevistados pelo Diário do Nordeste avaliaram o desempenho dos governantes na pesquisa do Instituto Opnus. O cientista político e professor universitário Cleyton Monte destaca uma ação do Governo Federal que, segundo afirma, tem influenciado a avaliação da atuação do presidente Jair Bolsonaro na pandemia. “Muitos atribuem ao Governo Bolsonaro um alívio na economia causado pelo auxílio emergencial”, diz.

“O número de pessoas que foram ou estão sendo beneficiadas pelo auxílio é muito maior do que o número de pessoas que foram contaminadas ou foram a óbito. Do ponto de vista estatístico, a economia vai tocar mais as pessoas”, exemplifica.

A diferença da aprovação entre diferentes segmentos também representa uma mudança, por exemplo, em relação a uma parcela do eleitorado do presidente em 2018. “O público que elegeu o Bolsonaro tinha um percentual alto entre os que tinham nível superior, homens e de renda média alta”, ressalta Cleyton. 

A principal divergência, segundo ele, ocorre porque estes públicos “acreditam no discurso da ciência”, enquanto o presidente adotou “uma postura negacionista”.

A professora do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC), Monalisa Soares, também lembra o auxílio emergencial, mas acrescenta os acenos do presidente à população do Nordeste como contribuição para o indicativo de melhora na aprovação do Executivo no combate a pandemia.

“No caso do Bolsonaro, a população pode reconhecer o pagamento do auxílio emergencial como uma melhoria. Além disso, ele tem feito mais movimentos para o Nordeste, que é um campo onde a oposição está estabelecida. Mas ainda é muito cedo para dizer se isso vai surtir efeito. As eleições municipais vão mostrar onde teve efetividade desse movimento”, esclarece.

Grupos de risco
A pesquisa mostrou variações entre os entrevistados que têm uma pessoa do grupo de risco em casa. Alguns índices de aprovação se modificam. Dentro deste grupo, 81% aprovam a  gestão do governador Camilo Santana na pandemia, enquanto 13% desaprovam sua atuação.

Presidente

A aprovação do presidente Jair Bolsonaro entre pessoas que  fazem parte deste mesmo recorte também foi medida. Do total de entrevistados que mora com  alguém que pertence a grupo de risco, 34% aprovam as ações do presidente na pandemia, enquanto 56% desaprovam.

 

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