No Ceará, Arthur Lira defende criar programa de auxílio após votar pauta orçamentária

Lira criticou a postura de Rodrigo Maia (DEM), e chamou de "proselitismo político" tentar pautar a prorrogação do auxílio emergencial antes mesmo de definir o orçamento de 2021

Arthur Lira em campanha pela presidência da câmara dá coletiva na AL
Legenda: A coletiva de Arthur Lira aconteceu em um auditório da Assembleia Legislativa. Ao lado dele, deputados federais cearenses demonstraram apoio, em claro antagonismo com o grupo que acompanhou Baleia Rossi e Rodrigo Maia.
Foto: Thiago Gadelha

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), candidato à presidência da Câmara dos Deputados, reuniu parlamentares cearenses nesta quinta-feira (14), em Fortaleza. Como promessa para vencer a eleição, ele defende prorrogar o auxílio emergencial por pouco tempo, e propor um novo plano de repasse após votar pautas orçamentárias na Câmara. 

Nesta quarta (13) Baleia Rossi (MDB-SP) — seu principal adversário na disputa —, também esteve no Ceará para reunir deputados em torno da própria candidatura.

Ao defender um novo plano de auxílio, Lira criticou a postura de Rodrigo Maia, que preside a Casa atualmente. “Eu sou a favor (do auxílio), mas não sou a favor de proselitismo político às vésperas da eleição prometendo justamente o que não vai poder entregar legalmente”.

Disputa

Em dezembro, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusar o presidente da Câmara de não votar a 13º parcela do Bolsa Família, Maia pautou acabou pautando a Medida Provisória que prorrogou o Auxílio Emergencial até dezembro, incluindo nela o pagamento do 13º do Bolsa Família em 2020. A pauta do MP do Auxílio Emergencial tem sido uma cobrança de partidos de oposição, mas acabou não sendo votada.  

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Covid-19), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ceará é o oitavo estado com maior repasse de verbas do auxílio emergencial. A amostragem aponta que 55,1% dos lares cearenses receberam repasse até novembro. O estado que mais obteve ajuda financeira foi o Amapá (70,1% de domicílios). 

Aceno

A coletiva de Arthur Lira foi realizada em um auditório da Assembleia Legislativa. Ao lado dele, deputados federais cearenses demonstraram apoio, em claro antagonismo com o grupo que acompanhou Baleia Rossi e Rodrigo Maia. O aual presidente da Câmara esteve nesta quarta-feira (13), no Palácio da Abolição com o governador Camilo Santana (PT). 

Em sua fala, Lira acenou ao governo, e disse que ficará “à disposição do governo do Ceará, e da prefeitura de Fortaleza”. Também afirmou que não terá um mandato submisso, apesar de ter imagem ligada ao presidente Bolsonaro. “Não há presidente de Câmara que seja líder de governo, mas também concordo que não deve haver presidente de Câmara que seja contra o País e contra o governo”, destacou.

Comitiva

A comitiva de Lira teve a presença dos deputados cearenses Capitão Wagner (Pros), Domingos Neto (PSD), AJ Albuquerque (PP), Dr. Jaziel (PL) e Pedro Bezerra (PTB). Bezerra, no entanto, também esteve no encontro com Baleia e Maia, na véspera. “Ainda estou obrigado a respeitar a determinação da bancada do PTB em Brasília”, disse. A sigla ainda não fechou questão sobre quem irá apoiar. 

Além dos cearenses, os deputados federais Luís Miranda (DEM- DF), Marcelo Ramos (PL-AM), Dr. Luizinho (PP-RJ), Carlos Cajado (PP-BA)  e Celso Sabino (PSDB-PA) integraram a comitiva.  

Blocos

Domingos Neto disse que o grupo de oposição puxado por Maia tenta fazer “uma união em cima de bases que não se sustentam”. Até o momento, Baleia Rossi contaria com parlamentares do PT, DEM, PDT, PSB, MDB, Cidadania, Rede, PV, PCdoB, PSDB e PSL. “Na prática eles conseguiram formar o bloco, mas o voto é secreto (...) temos a bancadas mais fies, e eles as bancada mais infiéis”, disse ainda Domingos.  

Ventilou-se, de maneira informal, a possibilidade de que a votação seja de modo aberto. Na semana passada, Maia já confirmou que o pleito será presencial. O grupo de Lira, portanto, defende que o voto permaneça secreto. “É constitucional”, afirma.  

Para ser eleito em primeiro turno, o deputado precisa ser votado pela maioria absoluta dos votos, isto é, 257 deputados votando a favor dele. Se o cenário não se confirmar, os dois mais votados disputam o segundo turno e se, por ventura, ocorra um empate, assume o candidato com mais idade.

 

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