Mourão apoia nova postura do Governo de pacificar relações

Vice Hamilton Mourão defende a aproximação entre o presidente Jair Bolsonaro e os partidos do Centrão, admite que o Planalto “mudou de rota” e pontua o desafio à governabilidade: “Se não tiver coalizão, não governa”

Legenda: Mourão considera ser necessário o diálogo de Bolsonaro com o Centrão
Foto: PR

A nova estratégia de apaziguamento adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, que há mais de duas semanas têm optado por evitar embates públicos e declarações polêmicas, é elogiada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que defendeu, ontem, a nova postura pacificadora do Palácio do Planalto e a aproximação com partidos do Centrão, um grupo que ganha mais espaço no Governo.

Segundo Mourão, o Governo Federal começou com uma “visão idílica” que o deixou “aprisionado” durante o primeiro ano de gestão, ao tentar negociar a aprovação de projetos com bancadas temáticas no Congresso.

Para o vice-presidente, Bolsonaro “mudou a sua rota” em 2020. Ele defendeu ainda que, “se não houver coalizão, o presidente não governa”.“O Governo começou com uma visão idílica, estou sendo bem sincero, de que por meio das bancadas temáticas nós teríamos um relacionamento eficiente com o Congresso”, afirmou durante evento.

Congresso

Mourão citou também as críticas de que o “toma lá, dá cá”, condenado por Bolsonaro, tenha voltado a Brasília. Segundo ele, a negociação política faz parte do presidencialismo. E que, em um Congresso tão fragmentado como o brasileiro, o diálogo com os partidos de centro será sempre necessário.“Muito se fala da questão presidencialismo de coalizão, o presidencialismo ele só pode ser de coalizão. Pra mim presidencialismo de coalizão é pleonasmo. Se não houver coalizão o presidente não governa”, comentou.

Redes sociais

Uma das arenas onde Bolsonaro mais movimenta sua militância, as redes sociais também experimentam o novo clima no Governo. Segundo o jornal O Globo, o presidente pediu para o filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro e um dos nomes mais influentes na comunicação do Palácio do Planalto, baixar o tom nas redes sociais, em especial em relação ao Judiciário.

A conversa foi há poucas semanas, segundo integrantes do Governo.O pedido de Bolsonaro foi feito num contexto em que o presidente busca um armistício com os tribunais após operações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) atingirem aliados seus e a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro investigado no caso da “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Carlos, por sua vez, alertou o pai que a nova postura não tem agradado a militância virtual bolsonarista. O aviso, informou a revista Época, veio acompanhado do recado de que os afagos públicos por Bolsonaro aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), irritaram especialmente as redes bolsonaristas na internet. Maia e Alcolumbre são alvos recorrentes de ataques.

Teste

Bolsonaro foi, ontem, ao Hospital das Forças Armadas (HFA) para fazer uma ressonância do pulmão. Ele também fez um teste para saber se está com o coronavírus. Mesmo sem saber o diagnóstico, ele já começou a tomar hidroxicloroquina e azitromicina. Não há comprovação científica da eficácia do uso destes medicamentos. O resultado do exame deve sair nesta terça.

Ontem, à noite, a Secretaria de Comunicação informou que o presidente estava em bom estado de saúde na residência oficial. Nos últimos dias, o presidente teve uma agenda intensa. No sábado, viajou a Santa Catarina, onde sobrevoou cidades atingidas por um ciclone, e depois almoçou na embaixada dos EUA. Tanto Bolsonaro quanto ministros e Todd Chapman estavam sem máscaras.


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