Em festa da independência dos EUA, Bolsonaro exalta Trump

Presidente da República elogia o discurso feito pelo líder norte-americano Donald Trump, carregado de ataques à esquerda e aos grupos antirracistas, em almoço promovido pelo embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman

Legenda: Jair Bolsonaro participou, ontem (4), de comemoração ao 244º Aniversário da Independência dos Estados Unidos
Foto: PR

Opresidente Jair Bolsonaro e auxiliares participaram, ontem (4), de um almoço na casa do embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, para comemorar a independência dos EUA. Bolsonaro postou, no fim da tarde de ontem, em suas redes sociais uma mensagem parabenizando o povo dos Estados Unidos pelo 244º aniversário de independência e disse que, como líderes das duas maiores democracias ocidentais, trabalham para os ideais de liberdade, democracia e dignidade humana que esta data representa.

O presidente brasileiro também chamou Trump de "amigo" e elogiou o discurso do norte-americano realizado na sexta-feira (3).

"Palavras de um grande estadista. Que o legado e os valores dos fundadores dessa grande nação permaneçam sólidos e jamais sejam apagados por radicais".

Em um evento carregado de simbolismo, o presidente norte-americano havia feito um dos discursos mais contundentes de sua campanha à reeleição, carregado de ataques à esquerda e a grupos antirracistas. Entre outras coisas, afirmou que a "revolução cultural de esquerda foi projetada para derrubar a revolução americana".

Os dois posts do presidente com esse conteúdo também foram publicados em inglês.

Bolsonaro também divulgou um pouco antes em sua rede social fotos em que ele, Chapman e outras seis pessoas aparecem todas sem máscaras no evento na casa do embaixador: Lorenzo Harris, adido de Defesa dos EUA; general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo; general Fernando Azevedo (Defesa); Ernesto Araújo (Relações Exteriores); general Walter Braga Netto (Casa Civil) e o almirante Flávio Rocha, secretário especial de Assuntos Estratégicos do Governo.

Do lado de fora da residência do embaixador, no Lago Sul, área nobre de Brasília, havia uma estrutura que contava com três viaturas da Polícia Militar, uma da Secretaria de Segurança do DF, além de uma ambulância e um caminhão do Corpo de Bombeiros.

Discurso elogiado

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump deu início à celebração da data já na sexta-feira (3) em um anfiteatro lotado em Monte Rushmore, onde fez o discurso elogiado por Bolsonaro.

De acordo com a imprensa local, Trump mal mencionou o ressurgimento da pandemia, mesmo quando o país superou 53 mil novos casos na sexta-feira e as autoridades de saúde de todo o país instaram os americanos a reduzir suas comemorações de 4 de julho.

Antes de comparecer ao almoço, Bolsonaro foi a Santa Catarina sobrevoar áreas atingidas pelo ciclone-bomba nesta semana. Após o almoço, o presidente retornou ao Palácio do Alvorada.

Aliança

Em um vídeo da embaixada dos EUA, publicado nas redes sociais para celebrar a data, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, disse que a relação atual entre os dois países é "sem precedentes" e se apresenta como uma "verdadeira aliança".

"Essa aliança, essa relação tão especial que estamos construindo, graças à orientação do presidente Bolsonaro e do presidente Trump, é uma relação muito frutífera, que tem dado resultados em função dos nossos interesses, dos dois países, na economia, na tecnologia, na segurança, na promoção da democracia", disse o chanceler brasileiro, que também louvou o modelo de sociedade construída pelos Estados Unidos a partir da independência, em 1776.

No mesmo vídeo, o embaixador Todd Chapman também exaltou o relacionamento entre Washington e Brasília, mencionou a luta contra o coronavírus e relembrou o assassinato de George Floyd, morto por um policial branco, que deu início a uma série de violentos protestos e impulsionou o movimento "Black Lives Matter" (vidas negras importam).

"Nos EUA, nós também estamos profundamente perturbados pela morte injusta e brutal de George Floyd e a triste lembrança de nossa contínua necessidade de enfrentar a injustiça racial e todo tipo de desigualdade social".

Visita

Após o sobrevoar, por 40 minutos, áreas de Santa Catarina afetadas por um ciclone na terça, Bolsonaro encontrou autoridades locais.

“Viemos a Santa Catarina para termos contato direto com o que realmente aconteceu com esse ciclone, trazendo desconforto e mortes para alguns dos nossos irmãos aqui de Santa Catarina. E dizer a todos que o nosso Governo, em especial através do Ministério do Desenvolvimento Regional, que tem à frente aqui o Rogério Marinho, estamos à disposição, para no que for possível, minorar o sofrimento daqueles que foram atingidos”.


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