Em ano atípico, pandemia evidenciou conflitos entre Poderes

A Covid-19 causou turbulências do Governo Federal com governadores e prefeitos sobre as regras de distanciamento social. O Congresso Nacional ganhou protagonismo com a aprovação de projetos para minimizar a crise

fotografia
Legenda: Parlamentares realizaram sessões remotas no Congresso Nacional para respeitar isolamento social
Foto: Agência Senado

O mundo da política foi atingido em cheio pela pandemia da Covid-19 e evidenciou conflitos entre os poderes Executivo, Legislativo e o Judiciário. Ao longo do ano mudanças significativas foram feitas no primeiro escalão do Governo Federal em meio a cenário político conturbado. O novo coronavírus também tornou a eleição municipal deste ano histórico, impondo novas regras aos eleitores brasileiros e antecipando as disputas de 2022.

Legislativo

A pandemia deu ao Legislativo um protagonismo maior. Primeiro com a discussão do auxílio emergencial proposto pelo Governo Federal. No primeiro momento houve uma disputa em torno do valor. A proposta original do Ministério da Economia era de R$ 300, mas o Congresso ampliou o valor para R$ 600.

Com o aumento de gastos na área da Saúde, parlamentares tentaram se cacifar em busca de enviar recursos para estados e municípios, de olho na eleição. Tanto que aprovaram o Orçamento Impositivo, ou seja, o pagamento obrigatório das emendas parlamentares. O Congresso também teve destaque ao reconhecer o estado de calamidade pública no País. Tudo por meio de sessões remotas na Câmara Federal e no Senado. 

Poderes

As regras de combate da pandemia viraram alvo de disputa entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), governadores e prefeitos. As divergências sobre isolamento social, quarentena e a restrição de circulação acirraram os ânimos entre os três Poderes. Nesse conflito, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que estados e municípios podem determinar as regras.

Turbulências

Em meio à crise sanitária, o vai e vem de ministros no Governo intensificou a crise política. Primeiro com a queda do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em abril. Depois, a surpresa com a saída do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que gerou a abertura de um inquérito no STF sobre a atuação da Polícia Federal.
Nelson Teich, que assumiu a pasta da Saúde, também pediu demissão. Eduardo Pazuello assumiu o comando interinamente e, apenas em setembro, depois foi efetivado. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou saída do Governo e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi afastado. 

Eleição

A eleição também foi outro momento histórico, em razão da pandemia. O Congresso adiou para novembro o pleito que estava marcado para outubro. A disputa eleitoral deste ano teve como pano de fundo a eleição de 2022, sendo importante para medir as forças entre os grupos políticos. 

Os candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro não tiveram bom desempenho nas urnas, neste ano. Outros nomes como o do ex-presidente Lula (PT) e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também se movimentaram.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre política