Eleições municipais ampliam poder de famílias de políticos do Ceará

Quatro deputados vão deixar o Poder Legislativo estadual e federal para assumirem o comando de gestões municipais no Ceará. Já outros expandem influências com membros da família à frente de prefeituras do interior

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Legenda: Resultados do primeiro turno nas cidades abre espaço para suplentes na Assembleia
Foto: Fabiane de Paula

O resultado do primeiro turno das eleições municipais realizadas no último domingo revela a influência política de parlamentares e de seus parentes no jogo eleitoral e na gestão das cidades localizadas em várias regiões do Ceará. Neste ano, 14 parentes de deputados estaduais e federais venceram disputas nos municípios - um número que dimensiona o poder dessas famílias.

Houve ainda a migração de nomes do Legislativo para o Executivo nos municípios. No Ceará, sete integrantes da Câmara dos Deputados e 13 da Assembleia Legislativa disputaram – e alguns ainda estão no páreo no segundo turno – cargos no Executivo de municípios (Fortaleza e Caucaia). Desse total, quatro já foram eleitos e deixarão os atuais mandatos para suplentes.

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Ontem, em uma das últimas visitas à Assembleia no atual mandato, o deputado Nezinho Farias (PDT) usou a tribuna para agradecer. “Foi um privilégio estar aqui, pude aprender muito”, disse. O pedetista deixa o cargo no fim do ano para assumir, em janeiro, a Prefeitura de Horizonte. O político já chefiou o Executivo da cidade em três mandatos.
Dois colegas de parlamento de Nezinho também saíram vencedores. Bruno Gonçalves (PL) foi escolhido como prefeito de Aquiraz.

Patrícia Aguiar (PSD) restabeleceu o domínio, em Tauá, do grupo político e familiar que integra, composto também pelo ex-vice-governador Domingos Filho (PSD), seu esposo, e pelo deputado federal Domingos Neto (PSD), seu filho. Patrícia já exerceu o cargo de prefeita três vezes na cidade. Em 2016, havia perdido a disputa. 

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Redesenho na Assembleia

Os três parlamentares terão as vagas ocupadas na Assembleia por Lucílvio Girão (PP), suplente de Nezinho, Gordim Araújo (Patriota), no lugar de Bruno, e Davi de Raimundão (MDB), substituto de Patrícia.

A Casa também pode perder seu presidente, Sarto Nogueira (PDT), caso ele seja eleito prefeito de Fortaleza. Nesse caso, o pedetista seria substituído por Manoel Duca (PDT). 

Sarto disputa o segundo turno contra o deputado federal Capitão Wagner (Pros), que, se eleito, dará lugar na Câmara dos Deputados a Dr. Agripino Magalhães (Pros).

Do parlamento federal, surgiram ainda dois outros candidatos nas últimas eleições: Roberto Pessoa (PSDB) foi eleito prefeito de Maracanaú e Vitor Valim (Pros) disputa o segundo turno em Caucaia. Pessoa deixará o mandato para Danilo Forte (PSDB), já Valim, se eleito, será substituído por Tony Brito (Pros).

Esposa, primo e cunhada eleitos

Inclusive, o vice da chapa dele em Caucaia, Deuzinho Filho (Republicanos), ocupava cadeira na Câmara deixada após licença do deputado federal Vaidon Oliveira (Pros). Adversário do candidato do Pros em Caucaia, o atual prefeito da cidade – em busca da reeleição –, Naumi Amorim (PSD), é esposo da deputada estadual Érika Amorim (PSD). Ele tentará repetir o feito de outros 12 candidatos cearenses eleitos para cargos majoritários que têm parentescos com parlamentares em exercício de mandato.

Em Nova Russas, por exemplo, dois parlamentares viram familiares serem eleitos em uma mesma chapa. A candidata Giordanna Mano (PL), esposa do deputado federal Júnior Mano (PL), venceu a disputa ao lado de Anderson Pedrosa (PMN), primo do deputado estadual Bruno Pedrosa (PP). 

Caso semelhante ocorreu em Parambu. A chapa vencedora nas eleições foi do Solidariedade, mas a real força política está no sobrenome dos dois candidatos. O prefeito eleito Rômulo Noronha (SD) é sobrinho do deputado federal Genecias Noronha (SD), já a vice, Patrícia Feitosa (SD), é cunhada da deputada estadual Aderlânia Noronha (SD).

Família influente, agora em Brejo Santo, terá como representante na prefeitura Gislaine Landim (PDT), mãe do deputado estadual Guilherme Landim (PDT) e viúva do ex-deputado Wellington Landim.

Outros deputados também tiveram familiares carregando o sobrenome – e vencendo a disputa – em Tamboril, Massapê, Aracati, Acaraú, Redenção, Granja e Cariús

Sem sucesso

Por outro lado, não teve êxito na eleição o candidato a vice-prefeito de Quixadá, Pedro Baquit (PDT), sobrinho do deputado estadual Osmar Baquit (PDT).

Augusto Brito (PCdoB), pai da deputada estadual Augusta Brito (PCdoB), também não foi reeleito em Graça. Em Sobral, Oscar Rodrigues (MDB), pai do deputado federal Moses Rodrigues (MDB), não conseguiu vencer Ivo Gomes (PDT).

Disputa acirrada na Câmara de Fortaleza

Se nas disputas majoritárias familiares de políticos tiveram sucesso nas empreitadas, na busca por cargos proporcionais, o cenário foi diferente no caso da Capital. Pelo menos cinco nomes indicados por personagens já conhecidos no Ceará não conseguiram agregar votos suficientes para serem eleitos.

Adam Gomes (DEM), filho do deputado Tin Gomes (PDT), recebeu 6.354 votos e só conseguiu vaga como suplente. 

Situação semelhante ocorreu com Mosiah Torgan (PDT). Nem a força política do pai, o vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan (DEM), e os 3.808 votos garantiram a ele vaga na Câmara Municipal de Fortaleza. 

Em uma demonstração de força na disputa deste ano, o prefeito de Eusébio, Acilon Gonçalves (PL), se reelegeu e ainda teve o filho, Bruno Gonçalves (PL), escolhido como chefe do Executivo municipal de Aquiraz. Contudo, a esposa do político, Marta Gonçalves (PL) recebeu 5.408 votos, ficando apenas com uma vaga de suplente de vereadora em Fortaleza.

O casal Libânia (PL) e Tomaz Holanda (PTC) também não conseguiu cadeira. Ela renunciou à disputa pela reeleição para reforçar a campanha do marido, que é ex-deputado estadual. Contudo, ele recebeu 4.209 votos, eleitorado que não garantiu espaço na Câmara. 

Entre os que tiveram sucesso na disputa, Renan Colares (PDT) recebeu 9.523 votos e assumirá mandato no legislativo municipal de Fortaleza. O pedetista é filho do deputado estadual Fernando Hugo (PP). 

Quem também teve êxito foi a enfermeira Ana Paula (PDT). Ela seguiu os passos do marido, o vereador Márcio Cruz (PSD), e conseguiu se eleger para a Câmara de Fortaleza com 10.097 votos. 

Mantendo a tradição da família Girão na política, Dr. Luciano Girão (PP) foi eleito vereador. Ele é sobrinho do ex- vereador Luciram Girão (PDT), que faleceu no ano passado.

Último pleito

Em 2016, as eleições municipais tiveram 17 parlamentares disputando vagas. Entre os que deixaram os cargos estão Laís Nunes (Icó), Ivo Gomes (Sobral), Naumi Amorim (Caucaia), Zé Ailton Brasil (Crato) e Carlomano Marques (Pacatuba).

Ferreira Gomes

Em Sobral, Ivo Gomes (PDT) foi reeleito prefeito. Ele é irmão do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e do senador Cid Gomes (PDT). Ivo derrotou Oscar Rodrigues (MDB), pai do deputado Moses Rodrigues (MDB)

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