CPI da Covid aprova convocação de representantes do Facebook, Twitter e Google

A comissão também decidiu fazer nova oitiva, dessa vez sigilosa, com o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel

Vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP); presidente da comissão Omar Aziz (PSD-AM); relator da CPI Renan Calheiros (MDB-AL).
Legenda: O requerimento de convocação das redes sociais é de autoria do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A CPI da Covid aprovou, nesta quarta-feira (23), a convocação de representantes do Google, do Facebook e do Twitter. Os senadores esperam que as empresas prestem esclarecimentos sobre a veiculação e exclusão de conteúdos falsos ou "desinformativos" que circulam pelas plataformas. 

O requerimento de convocação das redes sociais é de autoria do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que tenta enquadrar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os materiais sobre a pandemia postados pelo gestor federal nessas plataformas.

"Recentemente, estamos vendo o movimento de interrupção de exclusão de conteúdos falsos ou desinformativos pelas plataformas da empresa, de modo que é essencial que representante da empresa Facebook, que gerencia uma série de plataformas de compartilhamento de conteúdo, compareça a esta Comissão para esclarecer os motivos para a mudança de comportamento. Com efeito, apesar dos notórios esforços promovidos pela empresa, sabemos que muito ainda precisa ser feito para combater essa avalanche de desinformações sobre a pandemia e garantir que as informações corretas cheguem à população", disse Randolfe no pedido de convocação.

Depoimento secreto 

A CPI também aprovou na sessão desta quarta-feira a realização da oitiva sigilosa com o governador afastado do Rio, Wilson Witzel, assim como a quebra de sigilo de seis organizações sociais pagas para administrar hospitais no Rio de Janeiro.

O requerimento foi proposto pelos parlamentares de oposição e independentes após Witzel prometer à CPI revelar fatos "gravíssimos" que comprovariam irregularidades na gestão da Saúde no Estado. O ex-governador prestou depoimento pela primeira vez na comissão na última quarta-feira (16). A decisão foi alvo de protesto dos senadores da base aliada do governo federal. 

As organizações sociais Instituto Unir Saúde, Associação Filantrópica Nova Esperança, Associação Mahatma Gandhi, Instituto dos Lagos Rio, Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde e Instituto Diva Alves do Brasil são os alvos de quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e temático aprovados pela CPI.

Investigações sobre compra da Covaxin

Os senadores ainda aprovaram a convocação do Tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, assim como a quebra de sigilo telefônico, fiscal, bancário e telemático de Marinho. Documentos recebidos pela CPI apontam que o ex-coordenador teria "atuado fortemente" pela entrada da vacina indiana Covaxin no Brasil.

A compra do imunizante é alvo de investigação pela comissão. O Ministério Publico Federal identificou indícios de crime na compra da Covaxin pelo governo Bolsonaro. 

Segundo o jornal Estadão, o Executivo adquiriu o imunizante por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Convocações aprovadas

  • Tenente-Coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde; 
  • Representantes do Facebook, do Google e do Twitter;
  • O médico Marcelo Oliveira de Souza, da Viação Redentor, e o diretor-presidente da mesma empresa carioca do setor de transportes;
  • Carolina Palhares Lima, diretora de Integridade do Ministério da Saúde;
  • O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão, Luís Ricardo Miranda, chefe da Divisão de Importação do Ministério da Saúde.
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