Carta dos cearenses a favor da transposição

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Redação producaodiario@svm.com.br
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Foto: Fábio Lima
´Conclamamos os irmãos cearenses para que juntos empunhemos a bandeira da justiça social, fazendo com que as águas do São Francisco sejam levadas a quem mais precisa´. Este trecho está contido na carta aberta dos cearenses a favor do projeto de integração do Rio São Francisco, lançada ontem, pela manhã, na Assembléia Legislativa. A iniciativa do comitê cearense em defesa do projeto, que conta com a participação de diversas entidades governamentais e da sociedade civil, foi um ato político preparatório para o evento regional em favor da transposição, que acontecerá no dia 4 de novembro, em Jati (CE).

Participaram do lançamento o presidente da Assembléia, deputado Marcos Cals (PSDB), o secretário de Recursos Hídricos do Estado, Edinardo Ximenes, o coordenador do comitê cearense, deputado Chico Lopes (PCdoB), o diretor geral do Departamento Nacional de Obras contra as Secas, Eudoro Santana e o coordenador do comitê Paraibano em defesa do projeto, deputado Chico Lopes (PSB), além de representantes de diversas entidades governamentais e da sociedade civil. Foi cobrada uma maior mobilização par parte da população, sociedade civil, governadores e parlamentares federais dos Estados que serão beneficiados pela transposição.

Marcos Cals abriu a solenidade informando que a Companha Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) repassa para os Estados banhados pelo rio, desde 1988, cerca de 6% de seu faturamento anual. Recursos estes, da ordem de R$ 90 milhões, que deveriam ter sido aplicados na preservação do Rio São Francisco. ´Por que só agora esses Estados estão falando na revitalização? Fiquei estarrecido com esta informação, pois só se interessaram na revitalização, que é importante, quando a transposição está preste a ser iniciada´, destacou o parlamentar, ao afirmar que pessoas estão colocando-se contra ´sem um argumento lógico´.

A deputada Gislaine Landim (PSB), que é integrante do comitê cearense, falou em nome da Assembléia Legislativa, representada ainda pelos deputados José Maria Pimenta (PL), Caetano Guedes (PSDB), Gilberto Rodrigues (PHS). Ela citou diversos argumentos contidos na carta, dentre eles, o de que a disponibilidade hídrica no Ceará gira em torne de 450 metros cúbicos por habitante/ano, enquanto que a Organização das Nações Unidas recomenda 1.500 para a garantia da vida humana e da preservação ambiental. ´O Brasil possui a maior reserva de água doce do mundo, mas é mal distribuída. O Ceará é um Estado com grande incerteza climática´, ponderou.

Edinardo Ximenes, por sua vez, elogiou a decisão política do Governo Federal no sentido de realizar a obra. Segundo ele, o Ceará só poderá utilizar as reservas de água que possui quando tiver garantia hídrica, a ser oferecida pela transposição do São Francisco. ´Lideranças políticas arcaicas usam da resistência para barganhar´, observou. Ao informar que o Governo do Estado estará presente em Jati, no próximo dia 4 de novembro, o secretário acrescentou que será feita a regularização da titularidade de terras na região.

O paraibano, deputado Chico Lopes lamentou que o Nordeste esteja divido em uma questão importante como a da distribuição de água na região. Ele criticou a posição favorável da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil à greve de fome feita pelo bispo Luiz Flávio Cappio, contra a transposição. Isto porque a própria CNBB já teria se manifestado de forma favorável ao projeto em momentos anteriores da história. ´Não é possível que este projeto seja retirado da pauta, principalmente porque a resistência é eminentemente política´, disse ele, ao informa que o comitê da Paraíba também lançará uma carta, em 11 de novembro próximo.