Bolsonaro ignora coronavírus e participa de atos contra o Congresso e STF

Anteriormente, o presidente havia pedido que a população "repensasse" ida às manifestações

Legenda: Bolsonaro durante ato contra o Congresso e STF, em Brasília
Foto: Foto: AFP

O presidente Bolsonaro participou de atos pró-governo na manhã deste domingo (15), em Brasília, mesmo após ter solicitado, em pronunciamento de TV e rádio, que a população repensasse a participação nas manifestações. 

Sem máscara, o presidente desceu a rampa da Esplanada dos Ministérios e, em seguida, passou a esticar o braço para tocar nos manifestantes, separados por uma grade. Havia algumas centenas de simpatizantes diante do Planalto. O presidente também manuseou o celular de alguns manifestantes para fazer selfies. "Isso não tem preço", disse, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.

Mesmo com Bolsonaro pedindo para que os movimentos fossem repensados, apoiadores seguiram insistindo em promover os protestos e iniciaram um movimento nas redes sociais: #DesculpeJairMasEuVou.

Durante a manhã, vídeos e fotos sobre as manifestações foram postadas no Twitter do presidente. Em uma delas, sem autoria, era possível ler faixas 'Fora Maia', em referência ao presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), 'Fora STF' e 'SOS Forças Armadas'. Bolsonaro identificava a imagem como sendo de Maceió, Alagoas. A foto foi apagada da conta de Bolsonaro.

Críticas ao presidente
Deputados criticaram a participação do presidente no ato. "As consequências do ato de Bolsonaro hoje vão além do ataque à democracia. Trata-se de uma irresponsabilidade sem tamanho, uma ameaça à vida das pessoas, expostas a um vírus que tem matado milhares ao redor do mundo", disse o líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ).

O presidente da comissão que trata da segunda instância na Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM) disse que a participação do presidente hoje ao Palácio do Planalto mostra falta de compromisso com a agenda econômica. "Deixa claro que ele não tem nenhuma responsabilidade com a agenda econômica do país. Se estivesse, estaria procurando unir o povo em torno dela e não dividir o povo em torno de pautas antidemocráticas e secundárias", disse Ramos.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou o estímulo e a participação do presidente Jair Bolsonaro nos atos em favor do governo federal e contra o Congresso e o Judiciário, neste domingo (15).

Para o tucano, Bolsonaro foi "inadequado no ato e impróprio na atitude". Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na quinta (12), Doria já havia afirmado que nenhum Poder poderia conclamar manifestações contra outro.

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