Bolsonaro alega "luta de poder" com o Congresso e volta a minimizar o coronavírus

O presidente ignorou o coronavírus e participou das manifestações anti-Congresso no último domingo (15)

Legenda: Bolsonaro acompanhou as manifestações na área externa do Palácio do Planalto
Foto: Foto: José Cruz/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro acusou, em entrevista à Rádio Bandeirantes, de São Paulo, a cúpula do Poder Legislativo de ter iniciado uma "luta de poder" contra ele, ressaltou o "superdimensionamento" do coronavírus e que "seria um golpe de Estado isolá-lo por interesses outros que não sejam os republicanos".

Em entrevista por telefone à Rádio Bandeirantes, de São Paulo, ele disse que tem sido ameaçado "o tempo todo" e que "não existem hoje elementos para a abertura formal de um processo de impeachment contra ele". 

Em uma referência aos presidentes que sofreram processos de impeachment anteriormente no Brasil, Fernando Collor e Dilma Rousseff, Bolsonaro disse que não foi nem acusado de corrupção nem cometeu irregularidades na área fiscal. 

"Eu não abuso e não tenho qualquer envolvimento com corrupção. E terceiro fato: um impeachment só pode haver, no meu entender, se o povo estiver favorável a isso. Não existe nenhum ingrediente no tocante a isso daí", afirmou.

Ele reclamou que o Poder Legislativo não tem aprovado projetos simples enviados pelo governo. "Até as coisas simples que a gente manda para o Congresso Nacional não vão para frente. O que quero do Parlamento é que ele vote. Agora, tem um jogo de interesse muito g​rande", afirmou. 

"Não quero ser melhor que o Maia ou o Alcolumbre. Eu quero que nós aprovemos as questões que interessam a população", emendou.

Bolsonaro disse ainda que tem havido uma "crítica enorme" à postura de Maia e que já o aconselhou a tentar reverter o quadro atual. Ele apontou como um dos motivos do desgaste a disputa entre Executivo e Legislativo pela g​estão de R$ 30 bilh​ões do orçamento impositivo.

O presidente voltou a dizer que não h​​ouve acordo sobre a divisão do montante, apesar de ele ter enviado ao Congresso propostas propondo a repartição, e criticou o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, responsável pela articulação política.
 

Coronavírus
O presidente fez um teste na última quinta-feira (12) para o Covid-19 e recebeu um resultado negativo. No entanto, ainda está em monitoramento e fará novo teste na próxima terça-feira (17). 

Bolsonaro descumpriu a recomendação médica de permanecer em isolamento e, mesmo após recomendar que as manifestações fossem ‘repensadas’, o presidente participou do ato em Brasília e estimou manifestações em todo o país através de suas redes sociais. 

"Foi surpreendente o que aconteceu na rua. Até com esse superdimensionamento [do coronavírus]. Tudo bem que vai ter problema. Vai ter. Quem é idoso e está com problema ou deficiência. Mas não é isso tudo que dizem. Até na China já está praticamente acabando", afirmou.

Em entrevista à CNN Brasil, ele também chamou de "extremismo" e "histeria" medidas adotadas diante da pandemia do coronavírus. 
 

Manifestações 
Neste domingo, ocorreram manifestações em diferentes pontos do país com gritos de guerra e faixas em defesa do governo Bolsonaro e com uma série de ataques ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Sem máscara, participou das manifestações em Brasília, tocando simpatizantes e manuseando o celular de alguns apoiadores para fazer selfies. "Isso não tem preço", disse, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.

Para o presidente, houve motivação política nas críticas feitas contra ele pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua participação em manifestação neste domingo (15), apesar das recomendações do Ministério da Saúde para evitar aglomerações.

"Nós estamos em uma briga pelo poder e vou ser fiel àquilo que eu sempre tive com a população brasileira. Não dá para querer jogar nas minhas costas uma possível disseminação do vírus", disse.