O crime da "cura gay"

Escrito por
Jonael Pontes jonaell@hotmail.com

Legenda: Jonael Pontes é pesquisador da UFC
Foto: Arquivo pessoal

Recentemente, o serviço de streaming Netflix veiculou o documentário “Pray Away”, produzido por Ryan Murphy. A obra traz uma temática polêmica: terapias de conversão que, através de métodos retrógados e controversos, pretendem “curar” gays e outros indivíduos pertencentes à comunidade LGBTQIA+, como se esses portassem alguma doença. São apresentados ao telespectador depoimentos de sobreviventes dessas sórdidas “terapias reparativas”.

22 estados norte-americanos ofertam esses “tratamentos” atualmente, todos licenciados e institucionalizados. A estimativa de grupos que lutam por direitos de minorias nos EUA é de que 700 mil estadunidenses participaram dessas sessões, com a tentativa de “curar” homossexualidade e identidades de gênero dissidentes. A Associação Norte-Americana de Psicologia (APA) evidenciou que aqueles expostos a esse tipo de prática têm duas vezes mais chances de morrer em uma tentativa de suicídio.

No Brasil, esse fenômeno adquiriu visibilidade, na exploração, por meio da contestação do reconhecimento legítimo da homossexualidade. Em 2015, o então deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) iniciou uma campanha em favor da “cura gay”. Vale frisar que a homossexualidade deixou de ser considerada doença mental pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia 17 de maio de 1990.

Muitos homossexuais procuram na religião ou em pseudoterapias uma forma de lutar contra sua natureza, resultando em traumas oriundos do medo, vergonha, remorso, culpa e autojulgamento, porque essas saídas não funcionam. Importante ressaltar que tais práticas são respaldadas pelo fundamentalismo religioso, sobretudo cristão.

As sequelas deixadas pela homofobia produzem danos culturais e sociais. A homossexualidade não pode ser considerada patologia, sendo ela apenas uma variante da função sexual, assim como a heterossexualidade. E esse é um debate de ordem pública, por isso, interesse também da Sociologia. Lembremos que não se pode curar os que não estão doentes, portanto, nem a psicologia, tampouco a religião podem realizar esse processo. Qualquer intervenção que busque a “cura gay” figura como crime, além de ser uma monstruosidade.

Jonael Pontes
Sociólogo

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