Histórias na primeira infância

Vinícios Rocha é diretor pedagógico do Instituto Myra Eliane
Legenda: Vinícios Rocha é diretor pedagógico do Instituto Myra Eliane

A criança desde o início da vida já convive com o universo da linguagem. Mesmo no útero, o bebê já é capaz de perceber e distinguir a voz materna. 

Após o nascimento, a entonação de voz do pai e da mãe, bem como a forma de expressão de seus familiares são referências que auxiliam a criança em seu desenvolvimento psíquico (estruturação de pensamentos, organização das memórias e a modulação das emoções). 

No período compreendido entre 0-2 anos o bebê é um leitor-auditivo que, ao ver ou escutar algo, vai construindo pequenos esquemas mentais fundamentais ao desenvolvimento de ordens simbólicas e a formação de sua psique. 

Por esse motivo, realizar a leitura de um livro para um bebê – ainda que os pais acreditem que ele não está “entendendo nada naquele momento”, como muitos às vezes relatam, já é algo muito importante! Tal atitude contribui de forma significativa no desenvolvimento da sensibilidade e da cognição, associadas ao aperfeiçoamento da imaginação, da criatividade, do raciocínio e da linguagem.

Hoje os especialistas debatem em torno da emergência de uma literatura de colo, literatura de berço, etc., os nomes podem variar! Da mesma forma que o suporte (livro) direcionado a crianças bem pequenas é produzido em formatos bem diversificados (papel, plástico, tecidos, etc.), muitas pessoas ainda utilizam exclusivamente o recurso da oralidade. De modo geral, tudo isso colabora para o processo de humanização da criança.

Para finalizar, testemunho que atualmente a história preferida de minha bebê Maria Rita (01 ano e 05 meses) é o livro infantil Abraço Apertado (autor: Celso Sisto), que é recomendado às crianças em idade pré-escolar (4-5 anos). Contudo, essa é a escolha de minha filha, quando caminha em direção a estante com vários títulos infantis (muitos deles dedicados à sua idade). 

Isso revela a formação de um gosto, o encantamento pela escuta das palavras, o fascínio pelas ilustrações, as personagens, os bichos, a imagem da lua e tudo o que ela se relaciona e se identifica ao passar as mãos sobre as páginas, demonstrando tamanha felicidade no sorriso ao ver e ouvir essa história diariamente.     

Vinícios Rocha é diretor pedagógico do Instituto Myra Eliane