Trade aprova Parque, mas defende debate
A execução de um projeto harmônico exige preservação ambiental e diálogo com a sociedade
Retomando ideias lançadas anteriormente por arquitetos e até mesmo pelo próprio governador Cid Gomes, o Parque Praia Mansa, projeto turístico e cultural que o governo do Estado almeja construir na área próxima ao Porto do Mucuripe, como foi noticiado com exclusividade ontem pelo Diário do Nordeste, é visto de maneira positiva pelo trade turístico e por quem acompanha o desenvolvimento da Capital, mas exige articulação entre a gestão e os setores envolvidos na obra, para a execução de um projeto harmônico.
Do ponto de vista da ampliação dos atrativos turísticos que Fortaleza oferece aos visitantes, a construção do parque é avaliada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hoteis no Ceará (ABIH-CE), Darlan Teixeira Leite, como um importante ganho para a cidade, contribuindo de maneira positiva para os setores ligados ao turismo.
A realização da obra, entretanto, deve ser precedida de uma discussão ampliada, reunindo os órgãos responsáveis, entidades ambientais e moradores da região. "Isso é importante para que todos os envolvidos sejam contemplados com os benefícios e fiquem satisfeitos, principalmente a população", afirma.
Conservação
Além de atender aos interesses da cidade, o projeto deve, segundo o presidente da ABIH, garantir a conservação natural da região. "É preciso fazer um pacto que respeite o meio ambiente e o desenvolvimento da cidade", defende Leite.
Para o presidente da Associação dos Meios de Hospedagem e Turismo do Ceará (AMHT), Walden Lins, tão importante quanto a melhoria da Praia Mansa são os investimentos em estrutura e segurança do entorno, garantindo acesso facilitado ao local.
"Melhorar a educação profissionalizante para os moradores do entorno, estrutura de saneamento e a questão das residências, porque não tem sentido criar algo novo e moderno naquela ponta sem qualificar a comunidade", explica Lins. Lembrando as propostas contidas em um projeto anterior destinado à reforma da Praia Mansa, desenhado em 1999, Lins afirma que a cidade só terá a ganhar com a obra.
Ambiental
Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Ceará (IAB-CE), Custódio Santos, as questões de dizem respeito à preservação ambiental precisam ser analisadas com cautela, já que boa parte daquela região, segundo ele, constitui uma área de preservação ambiental.
"Na época da construção do terminal de passageiros do porto houve uma polêmica, porque estariam invadindo uma parte dessa área preservada. Então, é preciso verificar em que espaço essa obra será feita", ressalta.
Sem impactos
Segundo o presidente interino do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Afonso Cordeiro Torquato Neto, o território em questão não faz parte da área de proteção ambiental e, portanto, não sofrerá impactos.
"Estamos procurando um entendimento com a Setur para construir, dentro desse projeto, uma estrutura administrativa do Conpam, para fiscalizar o Parque Estadual da Pedra da Risca do Meio", explica Neto. O parque marinho fica a pouco mais de 18 Km do Porto do Mucuripe e terá acesso facilitado com as melhorias da Praia Mansa, segundo o presidente.
O Parque Praia Mansa, cujo projeto deve ser apresentado em junho, contempla a construção de praças, parques e um anfiteatro no local, com orçamento de cerca de R$ 800 milhões.
Jéssica Colaço
Repórter