Agro Automóvel Papo Carreira Tecnologia

Leilão de energia tem 93 projetos eólicos do Estado

Mesmo com grande potencial nessa área, o Ceará é o 4º em número de propostas eólicas habilitadas

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: As restrições ambientais para a instalação de parques eólicos no Ceará têm dificultado a expansão do Estado nessa área, diz João Mamede Filho

O fato de o Ceará ser o maior gerador de energia eólica do País, segundo os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), não foi suficiente para atrair investidores que apostassem nessa modalidade energética em solo cearense e lançassem propostas para o leilão A-5 de geração de energia elétrica, que será realizado no dia 28 de novembro. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), dos 577 projetos eólicos habilitados para o leilão, 93 deles são do Ceará, deixando o Estado em 4 º lugar no ranking nacional, atrás dos estados da Bahia (209), Rio Grande do Sul (105) e Rio Grande do Norte (99).

A oferta de energia eólica do Ceará, 2.341 MW, é a terceira maior dos projetos dessa área habilitados para o leilão. O cenário poderia ser bem melhor para a perspectiva cearense, segundo avalia o professor e consultor em energia João Mamede Filho. "Nós temos potencial muito grande, muito maior que o Rio Grande do Norte e a Bahia, mas ficamos para trás com o passar dos anos", afirma.

Os principais motivos desse atraso, acrescenta o professor, são as restrições da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e do Ministério Público em relação à liberação de licenças ambientais, e as leis estaduais que limitam o uso do solo para a implantação de parques eólicos. "Os investidores vão para locais que têm áreas de bons ventos e maior facilidade para implementação desses projetos. Nós perdemos competitividade", atesta.

Dentre as matrizes energéticas alternativas à geração hidrelétrica, a energia eólica, segundo Mamede Filho, é a mais barata, ao valor de R$ 150 a geração de megawatt/hora.

Propostas

Ao todo, o Ceará teve 94 projetos habilitados para o leilão A - 5, envolvendo as matrizes eólica, fotovoltaica e térmica a gás natural, com uma oferta total de 2.740 MW. Em todo o País, a EPE habilitou 821 projetos, que somam 29.242 MW. As propostas abrangem as fontes eólica, solar, hidrelétrica, biomassa, gás natural e carvão e devem abastecer o mercado a partir do ano de 2019.

O maior número de projetos habilitados foi das usinas eólicas, que somaram uma oferta de 14.155 MW, seguidas das usinas fotovoltaicas, que tiveram 179 propostas habilitadas, com 4.872 MW. Quatro hidrelétricas foram habilitadas, sendo duas no Paraná, uma no Rio de Janeiro e uma no Tocantins, enquanto as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) tiveram 25 propostas habilitadas pela EPE.

As termelétricas tiveram 36 projetos habilitados para o leilão, sendo 21 de biomassa, nove movidas a carvão e seis de gás natural. A oferta das térmicas é de 9.385 MW.

Incentivos

Em meio a um contexto de crise energética pelo qual passa o País, o uso das usinas térmicas tem sido essencial para auxiliar a geração das hidrelétricas após um período de baixo índice de chuvas. "A térmica é antiga e cara, e tem restrições devido à poluição, mas ela é essencial na manutenção do sistema elétrico brasileiro, porque é uma energia firme", justifica Mamede Filho.

A energia solar poderia contribuir mais nesse auxílio energético, segundo o professor, mas ainda tem como um dos principais empecilhos o alto custo da geração: cerca de R$ 700 megawatt/hora.

"Quando o governo começou o projeto de energia eólica, tinha vários benefícios fiscais, por isso ela foi ficando barata. Para iniciar um grande projeto de energia solar, é necessário que o governo também dê grandes incentivos", defende o consultor em energia.

Jéssica Colaço
Repórter

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado