Negócios

Fundos de investimento estão de olho no teleférico da Capital

Projeto de longo prazo da Setur atrai interesse de estrangeiros, que já tratam com o governo sobre o assunto

Escrito por Áquila Leite - Repórter producaodiario@svm.com.br
04 de Março de 2016 - 00:00

Anunciados em dezembro do ano passado, os ambiciosos planos a longo prazo da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-CE), que incluem a construção de um teleférico ligando a Praia de Iracema ao Mucuripe, extensão do calçadão da Beira-Mar e a criação de um estacionamento subterrâneo com 3 mil vagas e duas torres (uma residencial e outra comercial) nas proximidades do Acquario Ceará, poderiam parecer distantes demais da realidade local, ainda mais no atual momento econômico vivido pelo País. No entanto, apenas alguns meses depois do anúncio, fundos de investimento internacionais já demonstram interesse em saber mais detalhes dos projetos, tendo, inclusive, já iniciado tratativas com o governo.

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Em entrevista exclusiva concedida ao Diário do Nordeste, o titular da Setur-CE, Arialdo Pinho, afirmou que, na semana passada, recebeu representantes de um fundo internacional interessado em saber mais detalhes de todos os três projetos, que ainda não possuem orçamento ou prazos definidos. Segundo ele, não foi a primeira vez que o governo foi procurado por interessados. "São planos grandiosos demais para serem feitos com recursos do Estado, portanto estamos apresentando-os a investidores. O nosso papel seria auxiliar na concretização dos projetos, ajudando, por exemplo, nas tratativas com a Semace e com a União, mas sem entrar com dinheiro", diz o secretário.

Base de todos os planos da Setur-CE, a construção de um teleférico na Praia de Iracema, dentro do mar, do Acquario Ceará ao Mucuripe, implicaria na criação de quatro estações: Acquario, Aterro, Náutico e Mucuripe. Segundo Arialdo, as pessoas poderiam entrar no equipamento através dos espigões da praia, que também contariam com restaurantes. "Faríamos, portanto, uma revitalização em toda a área da Ponte Metálica, que está degradada. Isso traria um olhar totalmente novo para Fortaleza, inclusive a nível mundial", diz.

Outro projeto destacado é o chamado Paço das Águas, no entorno do Acquario Ceará. O plano exigiria a desapropriação de toda a quadra localizada atrás do empreendimento para a construção de uma praça, com estacionamento subterrâneo, que também serviria de bolsão para o Dragão do Mar, e duas torres. O outro plano é a chamada Marina Mucuripe, que pretende estender o calçadão da Beira-Mar até a região do Mucuripe. "A ideia é fazer algo nos moldes de Porto Madeiro (Argentina), com um hotel, duas torres residenciais, shopping e polo gastronômico", ressalta o secretário.

Parques ecológicos

Ainda conforme Arialdo Pinho, também existe o interesse, por parte da Setur, de fazer o Zoneamento Ecológico do Estado (ZEE), uma espécie de mapeamento que definiria áreas de preservação ambiental no Ceará. A ideia, conforme diz, é criar, no futuro, grandes parques ecológicos no litoral cearense. "Temos 572 quilômetros (km) de praia e penso que, no mínimo, 20% disso deveria ser nada além do que são, sem indústria, sem a prática de esportes ou construções. Para isso, precisaríamos definir os pontos mais propícios para todas as atividades e protegê-las por lei. Isso seria bom para todos", avalia. "O mapeamento diria: ali podem haver eólicas, aqui é polo industrial e em alguns locais é apenas natureza. Hoje é uma confusão", explica.

Segundo ele, o grande objetivo seria ter 140 km de parques ecológicos ao longo da orla cearense. "Imagine se pudéssemos ter um parque de dunas no litoral oeste e um de falésias no leste? Isso seria uma grande atrativo. Não faríamos nada, apenas cuidar dos locais", exemplifica. "Se eu conseguir fazer este mapeamento até o fim do atual governo, em 2018, eu me consideraria um homem realizado no turismo", frisa o secretário.

Fluxo turístico sobe 2,5%

Arialdo Pinho também se mostrou satisfeito com o avanço do turismo cearense ao longo do ano passado. Segundo a Setur-CE, o fluxo do setor subiu 2,5% ante 2014, com um total de 3,34 milhões de visitantes. O mercado nacional foi responsável por 3.065.292 (alta de 2,54%), enquanto o internacional respondeu por 278.523 turistas, apresentando, portanto, crescimento de 2,10%. "Eu acho que, dentro da conjuntura do País, o resultado foi altamente favorável. O fluxo de estrangeiros, por exemplo, superou o número de 2014, que foi ano de Copa do Mundo. Se tivéssemos conseguido estabilidade já seria uma vitória, mas fomos além e avançamos", diz.

Na demanda hoteleira, o crescimento registrado no Ceará foi de 5%, com um total de 1.900.968 de hóspedes. A Receita gerada pelo turismo cearense, por sua vez, foi de R$ 7,18 milhões, um avanço de 14,65%. O impacto do setor sobre o Produto Interno Bruto (PIB) estadual no ano passado também subiu, atingindo 11,4% da totalidade.

"Nós temos uma possibilidade muito grande de continuar crescendo ante os outros estados brasileiros. Fazemos muita propaganda, uma grande promoção do Ceará. Estamos entrando forte no mercado internacional, principalmente em pontos que temos voo direto. Vamos trabalhar muito, por exemplo, com o mercado argentino, que não é muito grande, mas que se recuperou bastante ultimamente".

Contrato do Acquario

De acordo com Arialdo, apesar de ter suas negociações bastante emperradas até janeiro deste ano, o Acquario Ceará ganhou um novo ritmo em fevereiro, quando a Embaixada Americana no Brasil auxiliou nas negociações com o Ex-Im Bank. Conforme diz, a reunião de financiamento deve ocorrer até o fim deste mês e a expectativa é de que, em junho ou julho, o contrato já seja assinado e publicado.