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Extrema pobreza ainda atinge 695 mil no Ceará

Entre 2012 e 2013, 22.292 deixaram essa condição; a proporção passou de 8,49% para 8,26% da população

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Considerando a proporção de extremamente pobres por estados da Federação, o Ceará ocupa a terceira posição no ranking, com 8,26% da população. A liderança é do Maranhão, com 15,11%, seguido de Alagoas (10,16%)
Foto: Foto: JOÃO LUIS

Às vésperas de terminar 2014 - ano limite para erradicação da extrema pobreza no País, o Ceará ainda possui 8,26%, de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza. Em 2013, 695.454 pessoas sobreviviam com uma renda domiciliar per capita de R$ 83,68, por mês, significando menos de R$ 3,00, por dia, por pessoa no domicílio.

Apesar dos números preocupantes, o Estado conseguiu reduzir a extrema pobreza entre 2012 e 2013, tanto em números absolutos quanto em termos percentuais. Neste período, 22.292 cearenses deixaram a condição de pobreza extrema, com o contingente total reduzindo de 717.746 para 695.454 pessoas extremamente pobres - um recuo de 3,11%, em um ano.

Em porcentagem, enquanto, em 2012, 8,49% da população cearense se enquadravam na condição de extrema pobreza, em 2013, o índice foi de 8,26%, uma queda de 2,71%. Os dados constam no Informe Nº 81, do Ipece, divulgado ontem. O estudo "Caracterizando a Redução da extrema Pobreza no Ceará - 2012 e 2013" traça uma análise comparativa do Estado com o Brasil e o Nordeste.

Na contramão

Ao contrário do Ceará, o Nordeste e o Brasil ampliaram a extrema pobreza no ano passado, face a 2012. De um ano ao outro, o número de pessoas no grupo dos extremamente pobres no País cresceu 7,99%, passando de 7.499.200, em 2012, para 8.098.417, em 2013. Ou seja, foram 599.217 pessoas a mais de brasileiros, nessa situação.

Entre os nordestinos o total de extremamente pobres cresceu 1,50%, de 4.315.674, em 2012, para 4.380.360, em 2013 - um acréscimo de 64.686 pessoas vivendo em condição de extrema pobreza na Região. Proporcionalmente, os indicadores cresceram para a Região e o País. No Brasil, a fatia de extremamente pobres passou de 3,93% para 4,26% da população, de 2012 a 2013, revelando 8,22% de expansão. Por sua vez, o Nordeste amargou alta de 1,95%, com a parcela dos extremamente pobres passando de 8,02% para 8,18% da população nordestina, em igual comparativo anual.

Zona rural

A pesquisa evidencia também que ao contrário do que ocorre no Brasil, onde a extrema pobreza está mais presente nas áreas urbanas, no Ceará e no Nordeste ela se concentra na zona rural. No território cearense, por exemplo, das cerca de 695 mil pessoas em situação de extrema pobreza, mais de 319 estão na zona rural, correspondendo a 14,91% do total.

O estudo revela, porém, que houve maior redução no número de extremamente pobres no interior do Estado. De 2012 a 2013, 66.547 cearenses da zona rural saíram da condição de extremamente pobres, um recuo de 17,22%. No Brasil e no Nordeste a queda foi -2,73% e -5,29%, nessa mesma ordem.

Para o diretor geral do Ipece, Flávio Ataliba, a queda mais expressiva da pobreza extrema na zona rural cearense está relacionada ao aumento de investimentos no interior do Estado. "O Ceará vem crescendo acima da média nacional. E o interior tem recebido investimentos em forma de escolas, estradas e programas de irrigação", explica.

Faixa etária

O estudo do Ipece mostra ainda uma grande concentração da extrema pobreza na faixa da população com idade entre zero e 14 anos. No Ceará, dos 695,4 mil extremamente pobres, 265,8 mil estão nessa faixa etária. "Isso gera a perpetuação da extrema pobreza, pois essas crianças reproduzem a situação de seus pais", alerta o diretor do Ipece.

Ranking

Considerando a proporção de extremamente pobres por estados da Federação, o Ceará ocupa a terceira posição no ranking, com 8,26%. A liderança é do Maranhão, com 15,11%, seguido de Alagoas (10,16%).

Ângela Cavalcante
Repórter

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