Negócios

Embraer se recupera após crise da covid-19 e rejeição da Boeing

No ano passado, ainda em meio à pandemia, a empresa registrou um lucro trimestral

Escrito por Diário do Nordeste e Estadão Conteúdo producaodiario@svm.com.br
06 de Fevereiro de 2022 - 15:21
capa da noticia
Legenda: O mercado regional lidera a recuperação da aviação comercial no mundo

A Embraer passou por uma grande crise em 2020, provocada pela pandemia da covid-19. Com o mercado financeiro em baixa na aviação, a fabricante de aviões viu a demanda do setor despencar enquanto seus clientes estacionavam suas frotas em todo o mundo, conforme países adotavam medidas de distanciamento social para conter a doença. 

Além da crise provocada pela pandemia, a Boeing desistiu de comprar sua divisão de aviação comercial. O resultado foi uma queda de 55% nas ações da Embraer e um prejuízo de R$ 1,5 bilhão no ano.

A Embraer, no entanto, parece estar se recuperando. No ano passado, ainda em meio à pandemia, a empresa registrou um lucro trimestral (entre abril e junho) - o que não acontecia desde o mesmo período de 2018. Ainda teve a maior alta da B3. Enquanto o Ibovespa caiu 12% em 2021, a Embraer subiu 180%.

A XP prevê uma valorização de 44% para as ações negociadas no Brasil. Já nos Estados Unidos, o Itaú vê potencial de alta de 47% até o fim do ano; o BTG, de 40% e o Citi, de 22%.

Mercado regional lidera aviação comercial

 O mercado regional lidera a recuperação da aviação comercial no mundo, com destaque para aviões de até 150 lugares,  o qual a Embraer é líder. Com capacidade para 88 assentos, o modelo E175 praticamente não tem concorrente hoje. Em 2020, pior ano da crise da pandemia, 73% dos aviões comerciais entregues pela empresa eram desse modelo. Nos nove primeiros meses de 2021, essa fatia caiu para 47%.

Retomada global da aviação

A retomada global da aviação comercial beneficiou não só esse segmento da Embraer, que hoje é responsável por um terço das receitas, mas também a divisão de serviços da empresa, já que a necessidade de companhias aéreas fazerem a manutenção de seus aviões aumentou. A área de serviço e suporte da Embraer é a que tem a maior margem de lucro e sua participação na geração de receita passou de 22,5%, em 2019, para 28,5%, nos nove primeiros meses de 2021.

Custos

Embraer vem enxugando seus custos. Neste ano, anunciou a venda de duas fábricas em Portugal, que, segundo o presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, eram ineficientes. Antes, já havia renegociado contratos e demitido 2,5 mil funcionários (15,6% do quadro brasileiro).

Para coroar o cenário, o eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamado oficialmente o "carro voador") se tornou a grande aposta para o futuro da aviação, e a Embraer, umas das promessas na área.

Em junho passado, quando foi confirmada a notícia de que a Eve (empresa da Embraer que desenvolve o projeto) faria uma fusão com a americana Zanite para abrir seu capital na Bolsa de Nova York, as ações da Embraer saltaram 15,6% em um único dia.

O presidente da Embraer, Gomes Neto, avalia que, entre todos os fatores que impulsionaram a companhia, os projetos para torná-la mais eficiente e o do "carro voador" são os mais importantes. 
 "Precisamos entregar o que prometemos, como fizemos até o terceiro trimestre de 2021", diz. Até 2026, o executivo quer quase dobrar o faturamento da Embraer, na comparação com 2020.

Assuntos Relacionados