Compra consciente é dica para aproveitar benefícios
Usuários dão dicas para que os demais não comprem mais só para acumular pontos nos planos de fidelidade
Dos programas que acumulam pontos em postos de combustível aos que garantem descontos em farmácias, passando pelos que oferecem recarga de celular e, claro, os clássicos que geram milhas aéreas, o engenheiro e professor Francisco Humberto de Carvalho Júnior, 56, tem cadastro em pelo menos dez programas de fidelidade de todas estas categorias. Listando uma série de benefícios já obtidos com essa estratégia, ele alerta, contudo, que é preciso ser um consumidor consciente e organizado para não acabar sendo prejudicado entre tantos pontos e promessas de bônus.
>Milhas e programas de pontuação ganham força
>Sem vantagem real, muitos contratos não valem a pena
>Promoções e expiração de pontos merecem atenção
"Se você não levar isso como algo que lhe faça gastar mais, ter um custo maior, é vantagem sim. Não pode é transformar isso em ansiedade por alcançar aquela pontuação para gastar com qualquer coisa", ensina Francisco. A adesão a esses programas, lembra ele, começou motivada pela publicidade que as próprias empresas faziam, quando os benefícios oferecidos se restringiam apenas às milhas aéreas. "Hoje eu tenho da Azul, TAM e Gol, Petrobras, Ipiranga e outros postos, Dotz, os cartões de crédito também somam pontos...", contabiliza ele, ponderando que não usa todos com a mesma frequência.
O tipo de resgate mais feito pelo professor é com passagens aéreas, utilizadas principalmente por um dos filhos dele, que é músico. "Mas eu utilizo também no cinema, assinatura de revista, revelação de fotografias, pra fazer recarga de celular, já comprei uma luminária solar para colocar no meu sítio. Vou sempre tentando encontrar alguma coisa", afirma.
Outro programa do qual Francisco consegue obter boas vantagens é o da rede de hoteis Ibis. "Quando viajo, sempre me hospedo em um desses hoteis e ganho uma ou duas diárias de graça", conta ele, que tem o cartão de crédito do hotel.
De olho nas validades
A garantia desses benefícios, contudo, exige uma organização um pouco maior do consumo e da data de validade dos pontos em cada programa, adverte o engenheiro. "No programa de fidelidade do supermercado, todos da minha casa compram usando o mesmo cadastro, pra acumular mais pontos e mais rápido", conta Francisco. "Acho muito difícil alguém alcançar a pontuação nos postos de gasolina, mesmo concentrando tudo numa mesma bandeira. Aqui em casa temos três veículos e ainda assim não conseguimos fazer uma troca vantajosa. Pra não expirar, acabo trocando os pontos por qualquer produto", argumenta, avaliando que, no fim das contas, os programas de milhagens são os que apresentam melhores vantagens reais.
O desaparecimento do saldo de pontos e a não emissão de uma passagem após o desconto das milhas foram os maiores problemas que ele enfrentou, mas que ele considera raros.
O que compensa mais
São também as milhas aéreas o principal benefício obtido pelo representante comercial Johnathan Souza, 32, com os programas de fidelidade. A adesão dele aos programas de fidelidade começou, há cinco anos, por meio das operadoras de cartão de crédito. "Entre as operadoras que me ofereciam cartão, eu procurei as que tinham programas de milhagem. No começo, eu não sabia como fazer a conversão, mas quando atingi um número alto de pontos, comecei a procurar informações na internet e com as próprias companhias aéreas, e deu certo", diz.
A preferência pelas passagens aéreas, complementa Johnathan, foi também devido à dificuldade em encontrar outros produtos ou serviços compatíveis com a pontuação que ele costuma acumular. As compras no cartão de crédito e os gastos com combustível são as principais formas com que Johnathan acumula os pontos - que ele consegue trocar para viajar, pelo menos, uma vez ao ano. "Já consegui passagens nacionais por 20 mil milhas, e dá pra fazer também viagens internacionais, é só se programar melhor", garante ele, que já viajou com a esposa para o Uruguai, com os pontos.
Empoderamento
Para a coordenadora do Núcleo de Educação do Consumidor e Administração Familiar da Universidade Federal do Ceará (UFC), Shandra Aguiar, o consumidor precisa se emponderar dos conhecimentos para tirar o máximo que puder desses programas de fidelidade, "e não ficar refém deles". "Tem vantagem aquele consumidor que realmente presta atenção nas compras, planeja, critica e reconhece o mercado", defende.
Essas estratégias de fidelização, acrescenta, costumam ser mais vantajosas para as empresas, que garantem o retorno nas vendas e ainda conseguem mapear com mais facilidade o perfil de consumo de cada cliente. "Às vezes, o consumidor nem pensa e acaba pagando mais em um produto só para acumular pontinhos", exemplifica.
Ela cita, ainda, algumas falhas típica de programas, como a cotação baixa para a conversão de pontos em benefícios e a falta de comunicação entre a empresa e os fornecedores para efetuar a troca por produtos. "Infelizmente, o Código de Defesa do Consumidor já vai fez 25 anos mas o consumidor brasileiro ainda está engatinhando na questão de cobrar os direitos", lamenta a coordenadora.