Caso Master: 68 mil investidores ainda não solicitaram resgate de valores
Fundo Garantidor de Crédito já desembolsou mais de R$ 39 bilhões.
Semanas após a abertura do processo de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), pelo menos 68 mil investidores vinculados ao conglomerado do Banco Master ainda não solicitaram o resgate de seus recursos. O grupo, que engloba o Banco Master, Master de Investimento e LetsBank, possui um total de credores dos quais 89% (692 mil pessoas) já receberam as garantias devidas.
Em termos financeiros, o volume já pago alcança R$ 39,2 bilhões, o que representa 96% do montante total previsto para o caso. Além dos pagamentos já efetuados, o fundo mantém cerca de 15 mil solicitações sob análise técnica.
O FGC atua como uma entidade privada de proteção ao investidor, devolvendo valores aplicados em instituições que entram em processo de liquidação, respeitando os limites regulatórios. A previsão é de que o fundo desembolse cerca de R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados pela liquidação.
Consulta de valores e solicitação de resgate
Para saber se tem algum valor para resgatar e fazer a solicitação, o processo é realizado majoritariamente de forma digital. O investidor deve baixar o aplicativo oficial do FGC, realizar um cadastro com CPF e documentos pessoais, e aguardar o cruzamento de dados com a lista enviada pelo liquidante da instituição financeira.
Caso existam valores disponíveis, o próprio sistema permite indicar uma conta bancária de mesma titularidade para o recebimento via validação biométrica.
Existem, contudo, fluxos específicos para diferentes perfis de credores.
Pessoas Jurídicas: O representante legal deve utilizar o Portal do Investidor para seguir o passo a passo enviado por e-mail.
Espólios e Inventários: A solicitação não pode ser feita via aplicativo, exigindo contato direto entre os beneficiários e o FGC.
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Prazos e limites de cobertura
Os investidores devem estar atentos ao calendário regulatório: o direito ao resgate expira cinco anos após o início dos pagamentos. A cobertura do FGC é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição, com um teto global de R$ 1 milhão acumulado a cada período de quatro anos.
Valores que ultrapassarem essas cifras entram na massa falida como créditos quirografários, sem garantia de recebimento.
Especialistas do fundo apontam que a falta de cadastro no aplicativo ou o desconhecimento sobre aplicações antigas em instituições que mudaram de nome ou perfil são os principais motivos para a demora de milhares de credores em buscar o dinheiro.
Outras instituições em liquidação
Além do Conglomerado Master, o FGC segue com cronogramas de pagamento para outras entidades. No caso do Banco Pleno, 49% dos credores (74 mil pessoas) já foram pagos, totalizando R$ 2,5 bilhões desembolsados.
Já para o Will Bank, a estimativa é de que o montante total de garantias a pagar chegue a R$ 6,3 bilhões.