Sesa passa a orientar testagem de pacientes com síndrome gripal

Secretaria da Saúde recomenda o teste molecular de RT-PCR para detecção do novo coronavírus em todos os casos com síndrome gripal. Decisão ocorre depois de o Ceará confirmar 12 pacientes com casos recorrentes de Covid-19

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Legenda: No Ceará, até a manhã desta quinta-feira (19), já foram realizados 1.099.720 mil exames. Destes, 387.207 foram RT-PCR
Foto: Camila Lima

Após confirmar "casos recorrentes" de Covid-19 em 12 pacientes cearenses, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) passou a recomendar a realização do exame de detecção do novo coronavírus para todos os casos atendidos com síndrome gripal. A nova orientação, válida para unidades hospitalares e postos de saúde, consta na nota técnica publicada na última segunda-feira (19), que informa como a rede deve proceder diante do reaparecimento de sintomas clínicos do SARS-CoV-2.

"Sugerimos que todos os casos atendidos com síndrome gripal realizem o teste molecular de RT-PCR para Covid-19, independentemente de já ter sido diagnosticado previamente", orienta o documento. Conforme a Pasta, os casos identificados como "suspeita de recorrência" devem ser notificados. Até o momento, indica, "não há recomendações de tratamento diferenciado" para os casos recorrentes.

A recorrência da doença é caracterizada pelo reaparecimento dos sintomas após período de melhora completa ou significativa, em um intervalo mínimo de 21 dias. Além disso, para ser enquadrado como um caso de retorno da doença, em ambos os episódios, a detecção do novo coronavírus deve ter sido constatada por exames moleculares, o chamado RT-PCR.

Monitoramento

O infectologista do Hospital São José, Keny Colares, que esteve na produção da nota técnica, diz ser "possível" que os 12 pacientes estejam entre os casos com duplo resultado positivo para o novo coronavírus.

Como noticiado pelo Diário do Nordeste na última semana, a Sesa monitora 160 pacientes que "tiveram mais de um episódio de Covid documentado", isto é, inicialmente testaram positivo, depois negativo e em um terceiro exame, novamente positivo. Segundo explica o médico, apenas os 12 casos se enquadram como recorrente por causa da avaliação dos sintomas e resultado dos testes.

"São casos que a gente documentou bem e pode dizer que são recorrentes. Já os 160 que estão sendo avaliados, são suspeitos porque têm a informação do teste, mas faltam detalhes dos sintomas do paciente. Estão sendo contactados para sabermos o que estavam sentindo na época e a gente dizer se são recorrentes". Keny complementa que a recorrência da doença pode aumentar à medida em que os 160 casos sejam avaliados individualmente.

Segundo o documento, no Ceará, entre 11 de junho e 28 de agosto, foram notificados 19 casos como sendo de recorrência dos sintomas clínicos relacionados à Covid-19. Após o estudo preliminar dessas situações, apenas 12 pacientes preencheram os critérios considerados mínimos para caracterizar a suspeita. Do total de pacientes, 10 são profissionais da saúde (médicos, técnicos de radiologia, enfermeira e trabalhador da área de farmácia).

Dos 12 casos recorrentes, nove são pacientes do sexo masculino, com idade entre 29 anos e 67 anos. As pacientes do sexo feminino têm entre 34 e 40 anos. Oito pessoas são de Fortaleza e as demais são de Maranguape, Milagres, Pereiro e Sobral. Os primeiros episódios de sintomas nesses pacientes ocorreram entre 16 de março e 17 de maio. Os mais comuns foram: febre (75%), dor de garganta (58%) e tosse (42%). Todos evoluíram sem complicações, não sendo necessário, à época, a internação de nenhum paciente.

Já os segundos episódios de sintomas começaram, nessas pessoas, entre 8 de maio e 15 de agosto. Na segunda ocorrência, os sintomas mais comuns foram: febre (83%), fraqueza (75%) e dificuldade de respirar (58%). Dois casos tiveram complicações e necessitaram de hospitalização, um na enfermaria e outro na UTI.

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