Primeira Parada da Diversidade do Dendê reúne público jovem neste sábado (16)

O evento uniu propostas sociais em prol da juventude e do público LGBTQ, equilibrando momentos de debate e festejos

Legenda: Mãe e filho, a psicóloga Carla Castelo, 33, e Caio, 16, foram juntos ao evento.
Foto: Foto: Camila Lima

Com o objetivo de promover a ocupação e revitalização de espaços públicos na comunidade do Dendê, a Primeira Parada da Diversidade do Dendê reuniu moradores do bairro, representantes de movimentos populares e LGBTQ na Praça da Juventude, durante a tarde do sábado (16), dando foco especial para a juventude. 

O evento foi originado a partir dos esforços do Coletivo Dendê de Luta, que mobilizou ainda grupos de outros bairros em torno da mesma causa, a exemplo do Coletivo Polo Trans. “A gente passou por um longo tempo de sucateamento dos aparelhos públicos, então nós, oriundos do grêmio estudantil da escola do bairro, nos unimos com esse intuito de revitalizar os espaços, e também de promover políticas públicas para a juventude”, explicou Michael Gomes, 20, coordenador do Dendê de Luta. 

Música e luzes de holofotes deram o tom na quadra da praça, que abrigou o evento. O espaço foi cedido pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura de Fortaleza.  

“Viemos prestigiar o evento e colocar alguns dados que infelizmente ainda são muito desfavoráveis para a população LGBT. Nós somos o país que mais assassina LGBTs no mundo”, disse a vereadora Larissa Gaspar. A parlamentar se dirigiu ao público presente ressaltando que a principal mensagem é a necessidade de organização, união e empoderamento. “É absolutamente inadmissível que a população LGBT não consiga permanecer na escola por conta da violência física e psicológica, e consequentemente não consiga ingressar no mercado de trabalho”. 

Homenagem 

O ambiente de celebração também abriu espaço para falas em referência à travesti Dandara dos Santos, vítima de transfobia assassinada em fevereiro de 2017.  

“Na nossa percepção, a periferia é um espaço que por si só, historicamente, é sucateado. A ideia é subverter o meio. A Dandara representa os LGBTs da periferia que mais sofrem com o preconceito, com a homofobia, com a transfobia”, destacou Michael Gomes. Segundo ele, o intuito da homenagem é mostrar, por meio do símbolo que se tornou Dandara, que a periferia é capaz de organizar suas próprias manifestações e ocupar espaço na sociedade. 

Público 

Além do momento de debate e pronunciamentos, a Parada da Diversidade contou com apresentações de DJs e atrações artísticas. “A chuva atrapalhou um pouco a chegada das pessoas, mas já tem mais gente que o esperado”, ponderou o universitário Samuel Mendonça, 20. 

Mãe e filho, a psicóloga Carla Castelo, 33, e Caio, 16, foram juntos ao evento, com os rostos decorados com a mesma maquiagem. “A minha irmã teve a ideia de fazer essa pintura em mim. Ele viu e quis uma igual”, diz Carla, que também é membro do Coletivo Dendê de Luta. Para Caio, a experiência de ter a companhia da mãe na Parada é de grande importância. “É muito bom ter esse apoio dela, porque não é o que costuma acontecer na família de pessoas LGBT”, revela. Carla resume: “o que importa mesmo é amar e ser amado”. 

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