Governo e setor privado se unem para alavancar crescimento no Estado
As câmaras setoriais têm forte participação na proposta do governo de intensificar parcerias com a iniciativa privada
Em um período de austeridade, com a economia nacional engatinhando e a ordem expressa de reduzir custos, inclusive nos gastos com investimentos, o desafio de desenvolver o Ceará, ainda um dos estados mais pobres do País, torna-se maior. A redução de repasses já é sentida e a retração econômica reflete diretamente na arrecadação de impostos. Para tentar driblar esse cenário pouco motivador, o governo estadual está contando com a participação de um parceiro com o qual, cada vez mais, vai buscando se aproximar: a iniciativa privada.
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A intenção já anunciada de intensificar as parcerias com empresas para a realização de empreendimentos no Estado, seja por meio de parcerias público-privadas (PPPs), que já vêm sido realizadas desde a gestão passadas, seja por meio de concessões, seguindo um movimento iniciado recentemente pela União, vem dando a tônica do novo governo estadual. Entretanto, a interação entre os setores público e privado vem se estreitando para além disso.
Agenda estratégica
Neste ano, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE) instigou o empresariado, por meio das câmaras setoriais, a elaborarem uma agenda estratégica de desenvolvimento para os seus setores. Estas câmaras são órgãos de caráter consultivo e propositivo, compostas por representantes das entidades privadas, organizações não-governamentais e órgãos públicos relacionados aos respectivos segmentos produtivos.
Elas servem para intermediar a relação entre o Estado e o empresariado, juntando os desejos e as necessidades da iniciativa privada com os planos de governo desenvolvidos pelo Estado.
Incentivos e obstáculos
A ideia proposta, portanto, é que cada setor elabore um estudo no qual apresente sua atual realidade, elencando seus maiores obstáculos ao desenvolvimento e apresente uma série de ações estratégicas, com metas a serem alcançadas, para que as dificuldades sejam superadas. E, claro, deixando claro ao Poder Público que tipo de incentivo necessita para que possa garantir o crescimento da atividade.
Até a última semana, quatro agendas estratégicas foram concluídas, que se uniram a uma já anteriormente realizada pelo setor de vestuário, que foi pioneiro nesse processo, há três anos. Os setores de eventos, reciclagem, logística e eletrometalmecânica finalizaram os estudos, que serão agora apresentados ao Governo do Estado.
"Essa agenda estratégica é o material que nos dá esse suporte, nos orienta e que concentra de forma organizada, estruturada e com metodologia tudo que o setor precisa", reforça a titular da SDE, Nicolle Barbosa.
De acordo com a secretária, a secretaria está instalando o seu núcleo de inteligência, a chamada Coordenadoria de Políticas e Estratégias, que irá estudar todo esse material, analisando que ações prioritárias deverão ser tomadas pelo Estado.
Competitividade
"O que a gente quer é deixar o Ceará mais competitivo. E, num cenário como este com restrições orçamentárias, nós temos que nos reinventar", defende Nicolle. Entre as ações já iniciadas, ele adianta uma mudança na política de incentivos fiscais, a definição de novos setores prioritários e o mapeamento das potencialidades econômicas do Estado. Tudo, aponta, com o setor privado ao lado, garantindo a execução ou a efetividade das ações públicas.
Sérgio de Sousa
Repórter