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Melhor logística pode ser diferencial no Estado

Para continuar atraindo empresas, o Ceará precisa contar com uma infraestrutura logística que integre os modais

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 00:00, em 12 de Julho de 2015)
Legenda: No setor de rodovias, a CS Logística também definiu como prioridade o Terminal Intermodal de Cargas do Pecém (TIC). O projeto já está pronto
Foto: FOTO: KID JÚNIOR

Não há como garantir competitividade ao Estado se não existir uma boa infraestrutura logística. Esse pensamento é consenso entre os setores produtivos. O Brasil não é um país realmente competitivo, pois custo para investir ainda é muito alto. O Ceará, um dos estados mais pobres do País e com apenas 2% da economia brasileira, coloca-se em situação ainda mais delicada. Para tentar reduzir esse atraso, a agenda estratégica do segmento logístico focou em quatro grupos temáticos, para garantir um diferencial ao território cearense para a realização de negócios.

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O Estado, como boa parte do Nordeste, ainda tem forte dependência de incentivos fiscais em sua política de prospecção de investimentos. Para o presidente da Câmara Setorial de Logística (CS Logística), Marcelo Quinderé, para continuar atraindo empreendimentos, é preciso dotar o Ceará de uma infraestrutura logística integrando, criando uma ligação entre os modais ferroviário, rodoviário, portuário e aeroportuário. "Por exemplo, no Pecém, você precisa ter um aeroporto, um terminal de cargas, a ferrovia chegando, assim como estradas também", aponta.

Esses quatro modais, portanto, estão sendo pensados em grupos distintos, para garantir a execução de melhorias em cada um deles. No grupo ferroviário, o foco é na ferrovia Nova Transnordestina, que deverá ser concluída entre 2017 e 2018, interligando a produção do sul do Piauí aos terminais portuários de Suape, em Pernambuco, e o Pecém.

"No ferroviário, a gente definiu, em primeiro lugar, que tem que concluir os dimensionamentos das definições dos terminais multimodais do Estado Ceará, da linha que liga de Missão Velha ao Pecém por meio da Transnordestina", informa Quinderé.

Definição das cidades

Esses terminais, onde os trens parariam e haveria a carga e descarga de mercadorias, devem ser interligados com outros ramais. A definição que está em estudo agora é de quais serão as cidades que receberão esses terminais. No momento, o governo tem trabalhado nisso e na desapropriação dos terrenos neste trecho da ferrovia.

Outro medida importante, reforça Quinderé, é a criação de novos ramais que se ligarão à Nova Transnordestina. O principal deles seria ligando a Chapada do Apodi, saindo do município de Limoeiro do Norte, ao Sertão Central, em Quixeramobim. Esse ramal permitiria o escoamento de cimento e calcário produzidos na chapada, levando até o Pecém.

"Só a CSP (Companhia Siderúrgica do Pecém) vai consumir, em média, 1,5 milhão de toneladas ao ano de produtos da Chapada do Apodi. Isso, via rodoviária, dá 100 mil toneladas/mês. Ou seja, 100 caminhões por dia de 25 toneladas, e as nossas estradas ainda não estão preparadas. A Chapada do Apodi, portanto, não vai ser competitiva, porque você pode trazer navios de fora de calcário e de cal, o que sai mais competitivo do que transportar 200 quilômetros por via rodoviária", esclarece o empresário, que atua no ramo da mineração.

De acordo com Quinderé, já existe um estudo, realizado no ano passado, que se encontra na Secretaria da Infraestrutura (Seinfra). O documento aponta que o custo de instalação desse ramal seria de R$ 500 milhões.

"Esse valor precisa ser atualizado. Também precisa ser discutido como poderia ser feito esse ramal, se através de uma parceria público-privada, uma SPE (sociedade de propósito específico), não sabemos ainda".

Outro ramal seria interligando a mina de urânio e fosfato de Santa Quitéria ao município de Quixeramobim. O estudo, adianta, já se encontra concluído, mas carece de atualização. Esse, porém, é visto com menos urgência do que o da Chapada do Apodi.

Rodoviário

No grupo rodoviário, a CS Logística definiu dois pontos prioritários: a implantação do Arco Rodoviário Metropolitano e do Terminal Intermodal de Cargas do Pecém (TIC). Os dois projetos se encontram prontos e serão apresentados pela Seinfra à CS Logística nesta semana. O primeiro tem por função reforçar a infraestrutura de acesso ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), por meio de uma rodovia duplicada entre a BR-116 e o Porto do Pecém.

Já o TIC seria uma área de integração entre todos os modais, ferroviário, rodoviário, portuário e aeroportuário, a ser localizado no Cipp.

Quinderé afirma que já existe, há algum tempo, um terreno reservado para o terminal, localizado em frente à Zona de Processamento de Exportações (ZPE). "Esse terminal é de extrema importância para gerar competitividade ao Ceará", garante. (SS)

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