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Com energia mais cara, setor produtivo se reinventa no CE

Diante da alta expressiva da conta de luz, consumidores e poder público são levados a planejar e a experimentar iniciativas que poderiam ter evitado o cenário atual, mas esbarram em uma série de dificuldades

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br

Do industrial que reduz o ritmo de produção ao consumidor que tenta mudar os hábitos para ter menos perdas e driblar a alta nos preços, todos os cearenses foram, direta ou indiretamente, afetados pelos reajustes recentes na conta de luz. Enquanto tentam se adaptar ao novo cenário, cidadãos, poder público e setores produtivos planejam e experimentam alternativas que, se postas em prática no passado, poderiam ter evitado a situação atual, mas hoje ainda esbarram em obstáculos como burocracia, má gestão dos recursos e equipamentos disponíveis e ausência de investimentos em áreas consideradas estratégicas.

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Ainda que exista o consenso - e a intenção declarada do governo federal - de que é preciso investir em fontes alternativas, como a eólica e a fotovoltaica, os investimentos realizados nos últimos anos foram insuficientes para garantir um verdadeiro avanço desse tipo de energia.

Da mesma forma, a mini e a microgeração de energia, que despertam cada vez mais a curiosidade de clientes residenciais e comerciais, ainda não encontram cenários mais propícios para avançarem de forma mais expressiva no Estado.

Carga tributária

"Qualquer país civilizado não coloca um encargo de 55% em uma coisa tão importante como a energia elétrica"

Luiz Gentil

Professor da Universidade de Brasília

Investimento efetivo

"Mais uma vez, a gente vai ficar dependendo de São Pedro para o ano que vem", critica o professor do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em eficiência energética Tomaz Nunes Cavalcante Neto. Para o professor, um investimento efetivo em programas de eficiência energética seria uma das iniciativas necessárias para amenizar o quadro atual. A ausência de ações de modernização nos processos de geração, distribuição e transmissão de energia estão entre as principais falhas do governo federal nas últimas décadas, corrobora o professor da Universidade de Brasília (UNB) Luiz Gentil, especializado em eletricidade.

Carga tributária

Para Gentil, a carga tributária elevada sobre a energia elétrica, que gira em torno de 55% no País, é outro entrave que precisa ser solucionado pelo poder público. "Qualquer país civilizado não coloca um encargo de 55% em uma coisa tão importante como a energia", destaca.

Para o professor, o Brasil possui condições para diversificar sua matriz energética e adotar ações que, a longo prazo, trariam muito mais segurança e eficiência ao setor. Conforme o especialista, as medidas hoje executadas pelo poder público são ações paliativas, que apenas têm "empurrado os problemas" para um momento futuro. Ele acrescenta que ainda falta ao Brasil vontade política e competência, nas administrações públicas, para promover as principais mudanças necessárias.

Segundo Tomaz Neto, os consumidores de energia, assim como o setor produtivo, também possuem responsabilidade no processo de recuperação do setor energético.

Na opinião dele, uma campanha de conscientização dos consumidores ajudaria grandemente a reduzir os impactos neste momento e fortalecer o setor. "Não adianta a gente ficar procurando culpas e culpados quando não fazemos o dever de casa", comenta Gentil.

Apesar dos obstáculos que hoje freiam o setor, o professor diz esperar que um esforço para diversificar a matriz energética, bem como incentivos à microgeração "têm tudo para ser o lado positivo dessa crise".

João Moura
Repórter

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