Ômicron: Qual a eficácia das vacinas contra a nova variante da Covid-19?

Variante Ômicron tem pelo menos 50 mutações quando comparadas com o vírus original e 30 delas que afetam uma proteína que é a "chave de entrada" para o coronavírus no organismo

Imagem mostra uma mulher segurando uma vacina contra a Covid-19.
Legenda: Eficácia das vacinas contra a a nova variante do coronavírus ainda estão em estudo, mas já se sabe que ela tem potencial para interferir negativamente.
Foto: Shutterstock

Desde o início da aplicação massiva de vacinas contra a Covid-19, ronda, no mundo, a preocupação sobre a eficácia dos imunizantes no combate às variantes do coronavírus. 

Embora a variante Ômicron, originada recentemente na África do Sul, esteja ainda em estudo pela comunidade científica, o que se sabe sobre ela até o momento já acende o alerta sobre a possibilidade de a cepa conseguir resistir à imunidade oferecida pelas vacinas. A opinião é unanimidade entre os três especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste para esta matéria. 

Proteína Spike 

Essa resistência pode acontecer porque a Ômicron tem pelo menos 50 mutações quando comparadas com o vírus original e 30 delas que afetam diretamente a proteína Spike, considerada a “chave de entrada” para o coronavírus no organismo humano. 

“A vacina possui anticorpos específicos para determinados microrganismos. Ela tem um alvo. É como se a gente voltasse para a estaca zero de desenvolver novas vacinas pra combater, também, essa nova”, explica a virologista, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Gurgel. 

“Existe um risco de que essa mutação leve a uma diminuição da eficiência da vacina, isso é evidente, porque tem estruturas proteicas que são alvos dos anticorpos que podem se modificar e isso acabar impedindo que a vacina funcione de maneira adequada. Mas a gente vai precisar passar por testes, como foi feito com a Delta”, opina o biomédico e microbiologista Samuel Arruda. 

Embora também ache cedo para afirmar algo a respeito, a médica e epidemiologista Lígia Kerr, pesquisadora da UFC, acredita que a nova variante possa ser ainda “mais dramática” do que as outras. “E se continuarmos não usando máscaras, não fazendo distanciamento, fazendo festa, carnaval, isso [o espalhamento mundial dela] vai acontecer”, projeta. 

Risco anunciado 

Em março deste ano, quando publicou resultados de estudos inéditos sobre a proteína Spike, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já havia alertado para a possibilidade de variantes do coronavírus afetarem justamente essa proteína e conseguirem prejudicar a eficácia das vacinas.  

A proteína Spike é associada à capacidade de entrada do patógeno nas células humanas e é um dos principais alvos dos anticorpos neutralizantes produzidos pelo organismo para bloquear o vírus.
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Em notícia publicada em 23/03/2021

“O coronavírus está continuamente se adaptando e, com isso, propiciando o surgimento de novas variantes de preocupação e de interesse com alterações na proteína Spike”, disse, à época, em entrevista à Fiocruz, a virologista Paola Cristina Resende, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, ligado à Fundação. Contudo, até aquele momento, ainda não havia surgido nenhuma cepa suficientemente poderosa para tanto. 

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