OMS batiza novo coronavírus e vê "chance realista de parar" disseminação

Organização Mundial da Saúde passa a chamar o novo coronavírus de "COVID-19"

Legenda: Novo coronavírus teve o primeiro alerta recebido pela OMS no fim de dezembro passado
Foto: Foto: Shutterstock

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou nesta terça-feira (11) que há uma "chance realista de parar" a disseminação no mundo do novo coronavírus, a partir de agora oficialmente chamado "COVID-19".

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"Se investirmos agora (...), temos uma chance realista de interromper esta epidemia", disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma conferência de imprensa em Genebra.

Ele também anunciou que, de agora em diante, o novo coronavírus será chamado de COVID-19, que substituirá o nome provisório estabelecido anteriormente "2019-nCoV".

O novo nome foi escolhido por ser "fácil de pronunciar", mas sem referência "estigmatizante" a um país, ou população, em particular, disse.

Ele explicou que "CO" significa corona, "VI" é vírus, e que "D" foi escolhido por "doença". O número 19 indica o ano de sua aparição (2019).

A transcrição oficial da OMS coloca todas as letras maiúsculas.

Cerca de 400 cientistas de todo mundo iniciaram uma reunião de dois dias nesta terça-feira para intensificar a luta contra a doença.

Também compartilharão seu conhecimento sobre as potenciais fontes da doença, que pode ter-se originado em morcegos e depois migrado para outros animais antes de atingir os seres humanos.

"O mais importante é parar a epidemia e salvar vidas. Com o apoio de vocês, é isso que podemos fazer juntos", disse o diretor-geral da OMS aos participantes.

Na abertura da conferência, Tedros descreveu a epidemia como "uma ameaça muito séria" para o mundo, exortando países e cientistas a intensificar os esforços e a coordenação para superá-la.

"Com 99% dos casos na China, essa continua sendo uma grande emergência para este país, mas também representa uma ameaça muito séria para o resto do mundo", disse.

Ele também observou que "os vírus pode ter consequências mais poderosas do que qualquer ato terrorista".

Mais de 42.600 pessoas foram infectadas na China continental e pelo menos 1.016 delas morreram.

Fora da China continental, o vírus matou duas pessoas (uma nas Filipinas e uma em Hong Kong) e mais de 400 casos foram confirmados em cerca de 30 países e territórios. 

Nos últimos dias, o chefe da OMS se queixou várias vezes da falta de compartilhamento de dados por certos países, em particular ocidentais, sem nomeá-los.

Ele disse que espera que a reunião resulte em um "roteiro" em termos de pesquisa, no qual "pesquisadores e doadores possam se alinhar".

O chefe da OMS também expressou o medo de ver a epidemia se espalhar para países com meios de saúde frágeis. "Se o vírus entrar em um sistema de saúde mais fraco, pode causar caos", disse ele.

Em paralelo a esse trabalho em Genebra, a agência especializada das Nações Unidas começou a enviar equipamentos de proteção e de testes para muitos países, em particular na África.

A OMS também acaba de enviar uma missão de especialistas à China para trabalhar com cientistas e autoridades chinesas. Ainda não há certeza, porém, sobre se essa missão poderá ir a Wuhan, epicentro da doença.

No final de janeiro, a OMS classificou a epidemia como "uma emergência de saúde pública de interesse internacional". Recusou-se, contudo, a falar de uma "pandemia".

A preocupação internacional foi revivida com o surgimento de um caso de contaminação fora da China. Um britânico infectado em Singapura transmitiu a doença para vários compatriotas durante uma estada na França, antes de ser diagnosticado na Grã-Bretanha.

Ele teria contaminado pelo menos 11 pessoas, acidentalmente. Cinco delas estão hospitalizadas na França; outras cinco, na Grã-Bretanha; e uma, na ilha espanhola de Maiorca.

"A detecção desse pequeno número de casos pode ser a fagulha que terminará em um incêndio maior", afirmou na segunda-feira o diretor-geral da OMS. 

Até então, a maioria das contaminações identificadas no exterior envolvia pessoas que haviam retornado de Wuhan.

Vários laboratórios e institutos farmacêuticos estão envolvidos na busca de uma vacina - nos Estados Unidos, na China, na França, na Alemanha, ou na Austrália -, mas seu desenvolvimento e difusão podem levar vários anos.

Segundo especialistas da OMS, pelo menos 82% dos casos relatados desta doença são considerados pouco graves; 15%, graves; e 3%, "críticos".

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