O que você precisa saber sobre a Superterça, o dia-chave das primárias democratas nos Estados Unidos

Fazer a diferença na Superterça requer uma grande penetração no território, um excelente nível de captação de recursos e um grande impulso

Legenda: O nome do candidato à presidência do partido sairá da Convenção Nacional Democrática, que ocorrerá entre 13 e 16 de julho em Milwaukee, Wisconsin
Foto: AFP

Na corrida pela indicação presidencial democrata, ainda não está claro quem disputará com o presidente Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro. Esse cenário deve ser esclarecido após um dia-chave, a Superterça de 3 de março, o maior dia de votação em que 14 estados e dezenas de milhões de americanos habilitados expressarão sua vontade. 

O resultado pode ser um ponto de virada no qual o senador "socialista democrata" Bernie Sanders obtém uma vantagem insuperável ou marcará um retorno espetacular para o ex-vice-presidente Joe Biden, que, exceto por sua vitória no sábado (29) na Carolina do Sul, sofreu fortes derrotas nos outros três estados que já decidiram: Iowa, New Hampshire e Nevada.

Fazer a diferença na Superterça requer uma grande penetração no território, um excelente nível de captação de recursos e um grande impulso. 

A saída de Pete Buttigieg da disputa, anunciada oficialmente no domingo após os fracos resultados obtidos no sábado na Carolina do Sul, pode dar um novo impulso a Biden.

Analistas aguardam as decisões na manhã de quarta-feira (4), com os resultados à vista da Superterça, de outros pré-candidatos como Elizabeth Warren ou Amy Klobuchar, que provavelmente enfrentarão uma decisão difícil: ignorar as previsões e seguir em frente ou jogar a toalha, como decidiu o jovem ex-prefeito. 

Fazer a diferença na Superterça exige uma grande mobilização, um excelente nível de arrecação de fundos e um grande impulso. Confira o que é preciso saber sobre a Superterça:

Disputa em 14 arenas 

Os estados em jogo durante a Superterça cobrem os quatro pontos cardeais dos Estados Unidos, do pequeno Maine, com pouco mais de um milhão de habitantes, até a gigante Califórnia, de tendência progressista e o mais populoso do país, com uma população de 40 milhões. 

O Texas, com 29 milhões de habitantes, é outro grande troféu. Virginia, Carolina do Norte, Alabama e Colorado também votam em 3 de março, assim como Arkansas, Massachusetts, Minnesota, Oklahoma, Tennessee, Utah e Vermont, além de Samoa Americana e os democratas que residem fora do país. 

A diversidade econômica e social dos estados participantes da Superterça oferece aos candidatos a oportunidade de demonstrar sua capacidade (ou incapacidade) de obter apoio de um amplo espectro de eleitores de diferentes perfis, estratos e regiões. A votação pode levar a noite toda.

Maioria absoluta de delegados 

Para obter a indicação do partido, o candidato precisa ter uma maioria absoluta de delegados e aproximadamente um terço do total está em jogo na Superterça. Daí a importância deste dia, uma data importante do calendário eleitoral dos EUA. 

Em números, 1.357 candidatos serão colocados em jogo na terça-feira, quando 1.991 são necessários para obter a indicação. Em comparação, até agora os quatro estados que já realizaram assembleias eleitorais ou eleições primárias designaram conjuntamente apenas 155 delegados.

Sanders lidera as pesquisas na Califórnia, que premia 415 delegados, sendo principal prêmio, e também no Texas, com 228 delegados. 

Se obtiver um bom resultado nesses dois estados, o senador de esquerda poderá passar à frente de seus rivais com uma vantagem considerável. O limiar de 15% dos votos exigidos pelo partido para obter delegados pode ser uma dor de cabeça para Biden e Klobuchar, que competem entre si pelos votos dos moderados.

A estreia formal de Bloomberg 

O bilionário e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg gastou US$ 500 milhões, uma quantia recorde, em publicidade eleitoral, mas não participou de nenhuma das quatro instâncias de votação que já foram conduzidas. 

Essa Superterça será um teste decisivo para Bloomberg, que mostrará se sua estratégia tem influência sobre os eleitores. 

Seu fraco desempenho em seu primeiro debate em meados de fevereiro e uma segunda aparição na terça-feira passada, na qual ele foi severamente atacado por seus rivais e não convenceu, o enfraqueceu nas pesquisas, mas ele ainda mantém um terceiro lugar nacionalmente, atrás Sanders e Biden.

Com os olhos em Milwaukee 

O nome do candidato à presidência do partido sairá da Convenção Nacional Democrática, que ocorrerá entre 13 e 16 de julho em Milwaukee, Wisconsin. 

Para Sanders, quem chegar à convenção com a maioria, mesmo que não seja absoluta, deve ser nomeado o candidato. Os rivais, por outro lado, exigem o cumprimento das regras, que indicam que, se não houver candidato que obtenha a maioria absoluta na convenção, será realizada uma segunda votação, na qual os delegados estarão livres para apoiar um candidato diferente. 

No entanto, essa segunda rodada também adiciona cerca de 700 "superdelegados", legisladores e figuras notáveis do partido. Dado que esses superdelegados geralmente representam o establishment, seu peso pode distorcer o voto e prejudicar as chances de Sanders.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o mundo