Chacina de Ibaretama: filhos de vereadora eleita e líder de facção se tornam réus

Justiça acatou denúncia do Ministério Público, mas parlamentar e outros familiares ainda podem ser denunciados pelo órgão

A 1ª Vara da Comarca de Quixadá aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) contra Francisco Victor Azevedo Lima e Kelvin Azevedo Lima, considerados suspeitos de prestar auxílio logístico para que um grupo criminoso efetuasse a chacina de Ibaretama

Wandeson Delfino de Queiroz, o 'Interior', apontado como líder da facção responsável pela matança, também tornou-se réu. Ele tem um mandado de prisão em aberto e é considerado foragido pelas autoridades policiais. Na chacina de Ibaretama, sete pessoas foram mortas, incluindo dois integrantes da mesma família, sendo uma criança de seis anos. 

"Pela análise dos autos, verifico indícios suficientes de autoria e de materialidade, configurando, configurando a justa causa penal necessária ao recebimento da exordial", escreveu o juízo de Quixadá, ao aceitar a denúncia contra os filhos da vereadora e o líder de facção. 

De acordo com as investigações da Polícia Civil, além da disputa entre grupos faccionados, a motivação do crime foi a intenção de acabar com roubos no reduto eleitoral da vereadora eleita Edivanda de Azevedo. Ela é mãe dos réus Kelvin e Victor e foi indiciada por envolvimento no crime. Além da vereadora e dos filhos, o irmão e o enteado da parlamentar também foram indiciados.

Outro lado

A advogada Cintia Eveline, que defende os suspeitos Kelvin e Victor, disse estar surpresa com o fato de o juiz ter aceitado a denúncia "sem quaisquer provas nos autos da participação dos mesmos". Segundo a criminalista, "a própria população encontra-se inconformada com a prisão dos acusados e já se dispôs a testemunhar em juízo no decorrer do processo", ressaltou.

Conforme a advogada, já foi impetrado habeas corpus atestando a boa conduta dos irmãos "no sentido de garantir a liberdade dos acusados enquanto no decorrer do processo a gente prova a inocência dos mesmos", ressaltou. Cintia Eveline afirmou que "os presos são trabalhadores, agricultores, inclusive um deles foi preso quando estava saindo do seu trabalho de servente de pedreiro". 

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