Caso Alana: empresário é indiciado por homicídio doloso por morte de estudante em Fortaleza

Morte da jovem completa um mês na próxima quarta-feira (21). Defesa do empresário contesta indiciamento

Segundo familiares, a jovem Alana Oliveira era ex-estudante do curso de idiomas o qual David Brito é sócio-proprietário
Legenda: Segundo familiares, a jovem Alana Oliveira era ex-estudante do curso de idiomas o qual David Brito é sócio-proprietário
Foto: Reprodução

O empresário David Brito de Farias foi indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar) no caso da morte da estudante Alana Beatriz Nascimento de Oliveira. A conclusão da investigação se deu na última segunda-feira (19), dois dias antes da morte da jovem completar um mês. A defesa do empresário contesta o indiciamento e questiona a motivação do suposto homicídio. Familiares e amigos de Alana realizaram protesto para pedir por justiça, nesta terça (20).

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), afirma, na conclusão do Inquérito Policial - obtido pelo Diário do Nordeste - que deixa de indiciar a irmã de David Brito pelo crime de fraude processual, por falta de provas, apesar da suspeita de que a mesma tenha retirado o equipamento que continha as filmagens da residência onde Alana foi morta.

O Inquérito foi enviado ao Ministério Público do Ceará (MPCE). O relatório policial justifica, sobre David, que "ao manusear uma arma de fogo que estava com seu carregador conectado e carregado, de frente para uma pessoa, o suspeito automaticamente se colocou na posição objetiva de assumir o risco dessa ação que promoveu".

Destaque-se também o fato de que David Brito de Farias, após atingir a vítima com disparo de sua pistola, não prestou soccoro para a mesma, não pediu socorro aos órgãos oficiais (tendo se limitado a ligar para sua irmã C. - identetidade preservada) e outras pessoas, e foi embora da sua residência, sem dar sua versão dos fatos, antes da chegada das Polícias Militar e Civil, e da Perícia Forense, levando embora consigo sua arma, munições e até o estojo da munição que atingiu a vítima.
DHPP
Em Inquérito Policial

A defesa do empresário, representada pelo advogado Leandro Vasques, questiona a motivação do suposto homicídio: "Em todo crime estudado se busca um motivo: Neste caso, em específico, que motivo teria o empresário David em tirar propositadamente a vida da jovem Alana? Que razões teria ele?  Eis uma pergunta sem resposta".

O empresário não possui nenhum histórico de agressividade, não mantinha nenhum relacionamento com a vítima, havia a conhecido naquela noite, horas antes, inexistiu qualquer animosidade, rusga ou desentendimento. Sei que é difícil aceitar, mas estamos diante de um trágico acidente por imperícia no manuseio de uma arma que havia sido adquirida pelo investigado há 8 dias do fato e que nunca havia feito uso da mesma.
Leandro Vasques
Advogado de defesa

Conforme o relatório policial, DHPP pediu pela prisão temporária de David Brito, no dia 29 de março deste ano, o MPCE foi a favor, mas a 4ª Vara do Júri de Fortaleza, da Justiça Estadual, deferiu apenas um mandado de busca e apreensão, no último dia 15 de abril. A medida foi cumprida na residência do empresário, na última segunda-feira (19).

"É uma esperança", diz irmã de Alana

Familiares e amigos de Alana Oliveira realizaram um protesto para pedir por justiça no 'Caso Alana', em frente ao Fórum Clovis Bevilaqua, em Fortaleza, na manhã desta terça-feira (20). Cerca de 20 pessoas compareceram, com blusas e cartazes em homenagem à estudante.

A irmã de Alana, Vitória Oliveira, afirmou, em entrevista ao Sistema Verdes Mares, que "é uma esperança" o indiciamento de David Brito por homicídio doloso.

É uma esperança para a gente, porque a gente quer justiça. Ele ter sido indiciado por homicídio doloso é uma vitória muito grande para a gente.
Vitória Oliveira
Irmã de Alana

Familiares e amigos de Alana Oliveira realizaram um protesto para pedir por justiça
Legenda: Familiares e amigos de Alana Oliveira realizaram um protesto para pedir por justiça
Foto: Marina Alves

Morte de Alana

Alana Oliveira morreu após ser baleada dentro da residência do empresário David Brito, localizada na Rua Moacir Alencar Araripe, no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza, no dia 21 de março último. Ela tinha ido assistir uma live, na casa, na noite anterior, e dormiu por lá.

O tiro que atingiu a testa de Alana aconteceu no início da tarde daquele domingo fatídico. Imagens de uma câmera instalada na mesma Rua, obtida com exclusividade pelo Diário do Nordeste, mostram uma intensa movimentação no imóvel, nos minutos seguintes. Alana não foi socorrida em ao menos 1h10 de filmagem.

Os advogados da família de Alana, Daniel Queiroz de Souza e Raymundo Nonato da Silva Filho, sustentaram, durante a investigação, que não havia indícios de tiro acidental. Outro ponto rebatido pela família da estudante, acerca da tese apresentada por David, é a informação de que o empresário não conhecia Alana. Segundo familiares, a jovem era ex-estudante do curso de idiomas o qual David é sócio-proprietário.

Já a defesa de David Brito alega que o empresário e a estudante se conheceram na noite anterior à morte, que eles estavam sob "absoluta harmonia sem qualquer rusga" e que o tiro aconteceu "acidentalmente", no momento em que a jovem pediu para ver a arma. Segundo o advogado Leandro Vasques, a arma é de um modelo que tem apresentado diversos episódios de problemas técnicos, que levam a disparos acidentais. O empresário entregou a arma à Polícia Civil no dia seguinte ao tiro.

Nota da defesa

Confira a nota da defesa do empresário David Brito de Farias, sobre o indiciamento por homicídio doloso, assinada pelo advogado Leandro Vasques, na íntegra:

"Em todo crime estudado se busca um motivo: Neste caso, em específico, que motivo teria o empresário David em tirar propositadamente a vida da jovem Alana? Que razões teria ele?  Eis uma pergunta sem resposta.

O empresário não possui nenhum histórico de agressividade, não mantinha nenhum relacionamento com a vítima, havia a conhecido naquela noite, horas antes, inexistiu qualquer animosidade, rusga ou desentendimento.

Sei que é difícil aceitar, mas estamos diante de um trágico  acidente por imperícia no manuseio de uma arma que havia sido adquirida pelo investigado há 8 dias do fato e que nunca havia feito uso da mesma. E registre-se que o investigado não era atirador, como levianamente se quer sugerir, ele apenas tinha feito um curso que a legislação brasileira exige para poder adquirir uma arma, um curso que qualquer um de nós precisa se submeter se acaso desejar comprar uma arma de fogo. Não era praticante de tiro, basta oficiar a todos os clubes de tiro deste Estado.

Se bem repararem, acaso o investigado desejasse, teria dito tempo de ocultar o cadáver, e não o fez. Desesperou-se...mas em seguida se apresentou à presença da autoridade policial e entregou a arma e o conteúdo das imagens do circuito interno, colaborando assim com a apuração dos fatos.

O tribunal midiático apressa um veredicto ao investigado, artificializa um pseudo clamor público que não existe e que difere da mera repercussão de um crime, inflama o cenário, mas confiamos na serenidade da autoridade policial que preside o inquérito e confiamos que não se contagiará pelo palco armado nas redes sociais.

Está claro como a luz solar que estamos diante de um acidente com a arma. O investigado não possuía razões para ceifar a vida da jovem Alana e lamenta profundamente o evento.

Queremos uma apreciação equilibrada dos fatos, nada além disso."

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