Armas supostamente apreendidas por policiais eram vendidas pelos traficantes por R$ 2 mil no Ceará

Um dos acusados de participar do esquema criminoso foi condenado a 24 anos de prisão

Escrito por Redação,

Segurança
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Legenda: O Gaeco em parceria com a Coordenadoria de Inteligência da SSPDS, a Coin, implementaram interceptação de comunicações telefônicas autorizada pela Justiça
Foto: Divulgação

Um dos alvos da Operação Genesis, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), foi condenado. Conforme a Justiça, Ney Martins Melo esteve envolvido em um esquema de venda de armas de fogo, extorsões e outros crimes praticados por uma associação criminosa com atuação em Fortaleza. O armamento era vendido a partir de R$ 2,5 mil e era oriundo, muitas vezes, das apreensões realizadas por policiais que também participavam da quadrilha.

Ney foi condenado a 24 anos e seis meses de reclusão. Ele deve ficar preso devido aos crimes de promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa; crimes do Sistema Nacional de Armas; e tráfico de drogas. A decisão proferida pelo magistrado da Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Fortaleza foi publicada no Diário da Justiça da última sexta-feira (20). A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Ney Martins. 

No total, 19 homens foram acusados pelo MPCE. Dentre eles estão policiais militares e civis. Há suspeita que as armas vendidas pelos intermediadores do bando eram fruto de apreensões realizadas pelos agentes.

COMÉRCIO PARALELO

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Coordenadoria de Inteligência da SSPDS, a Coin, implementaram interceptação de comunicações telefônicas autorizada pela Justiça O objetivo era desvendar ações delituosas de grupos ligados à facções.

Durante a investigação foram captados diálogos com conteúdo criminoso de pessoas "que se vincularam a policiais e se estruturaram para realizar condutas penalmente tipificadas". Consta na denúncia que a organização era liderada por policiais e empreendeu crimes de extorsão, tráfico de drogas e delitos previstos no estatuto do desarmamento.

"Agentes públicos e outros indivíduos conjugaram esforços para obter dinheiro por intermédio de empreendimentos ilícitos. Nesse passo, as conversas demonstraram que os denunciados, diuturnamente, se articulavam com o intuito de praticar ações para extorquir e espoliar suas vítimas, que, na maioria das situações, eram selecionadas porque já delinquiam. Ademais, os acusados, inclusive policiais, angariavam recursos provenientes de suas ações e de materiais ilícitos posteriormente negociados"
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Em uma das conversas, Ney foi flagrado oferecendo um revólver calibre 38 por R$ 2.500. O comprador interessado também teria chegado a perguntar valor de drogas. Para os investigadores, a partir das conversas restou evidente "que Ney comercializa armas de fogo com habitualidade, demonstrando grande conhecimento sobre valores em outras localidades e negociando os armamentos por drogas".

Em outra troca de mensagens, o acusado chegou a dizer ter munição de 380 e 38 para vender. Segundo ele, poderia enviar foto do material por meio do WhatsAPP e que seu material era original. A denúncia foi recebida pelo Judiciário em agosto de 2020.

Agora, com a sentença proferida, Ney Martins Melo deve cumprir pena em regime inicialmente fechado. O juiz negou a ele o direito de apelar em liberdade, porque, ao ver do magistrado, "sua liberdade provisória trará concretos prejuízos à garantia da ordem pública". "Não teria sentido algum o réu permanecer preso durante todo o processo dada a sua periculosidade e ser solto na sentença que reconheceu a sua periculosidade", acrescentou.