Senador Chico Rodrigues sai da vice-liderança do Governo no Senado

O parlamentar foi alvo, nesta quarta-feira (14), de uma operação da Polícia Federal em Roraima, quando agentes o flagraram com dinheiro vivo na cueca

Esta é uma imagem de Chico Rodrigues
Legenda: PF encontra dinheiro vivo na cueca de Chico Rodrigues
Foto: Reprodução

A Presidência da República dispensou nesta quinta-feira (15) o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) do cargo de vice-liderança do governo no Senado. De acordo com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, o senador pediu para deixar o posto.  

O parlamentar foi alvo, nesta quarta-feira (14), de uma operação da Polícia Federal em Roraima, quando agentes o flagraram com dinheiro em espécie na cueca. A saída de Rodrigues do posto foi oficializada em edição extra do Diário Oficial da União. 

"Nos termos do art. 66-A do Regimento Interno dessa Casa do Congresso Nacional, em atenção ao pedido do Senhor Senador Francisco de Assis Rodrigues, solicito providências para a sua dispensa da função de Vice-Líder do Governo no Senado Federal", diz o despacho da Presidência. 

A operação realizada em Roraima mirou desvio de recursos públicos para o enfrentamento à Covid-19 no estado. 

Parte das notas apreendidas na operação, de acordo com investigadores envolvidos no caso, estavam entre as nádegas de Rodrigues. Cerca de R$ 30 mil foram encontrados na casa do parlamentar. A informação foi divulgada pela revista Crusoé e confirmada pela Folha de S.Paulo. 

O presidente Bolsonaro falou sobre o caso na saída do Palácio da Alvorada, quando parou para conversar com apoiadores. 

"Parte da imprensa [está] me acusando de o cara [Rodrigues] ser meu amigo, [que] eu [o] coloquei como vice-líder, [que] em consequência eu não combato a corrupção. Essa operação da PF [Polícia Federal] de ontem [quarta-feira] foi em conjunto com a CGU [Controladoria-Geral da União], cujo ministro é o capitão Wagner Rosário. Essa operação foi desencadeada conjuntamente [entre] CGU e PF: ou seja, nós estamos combatendo a corrupção, não interessa quem seja a pessoa suspeita", declarou o presidente. 

"Essa investigação de ontem [quarta-feira] foi um exemplo típico do meu governo, que não tem corrupção no meu governo e [que] combate a corrução seja quem for", acrescentou. 

O senador disse, em nota publicada na quarta (14) após a operação, que confia na Justiça e que irá provar que não tem envolvimento com qualquer ato ilícito. 

R$ 15 milhões por ano

Deflagrada pela PF e pela CGU, a Operação Desvid-19 tinha o objetivo de coletar informações sobre o desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. Cada congressista tem direito a R$ 15 milhões por ano em emendas ao Orçamento da União. 

Os valores eram destinados ao combate à pandemia da Covid-19 - recursos administrados pela Secretaria de Saúde de Roraima. 

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Boa Vista, expedidos pelo ministro Roberto Barroso, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Rodrigues foi um dos alvos. 

Defesa

A reportagem ligou para o senador, mas não conseguiu contato. Em um comunicado que fez sobre o caso, o senador disse acreditar "na Justiça dos homens e na Justiça Divina". 

"Estou tranquilo com o fato ocorrido hoje em minha residência em Boa Vista, capital de Roraima. A Polícia Federal cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado", afirmou Rodrigues. 

O senador disse que teve o "lar invadido" pelos investigadores, por apenas ter feito o trabalho como parlamentar, levando recursos para o combate à Covid-19 na saúde do estado. 

"Tenho um passado limpo e uma vida decente. Nunca me envolvi em escândalos de nenhum porte. Se houve processos contra minha pessoa no passado, foram provados na Justiça que sou inocente." 

"Na vida pública é assim, e, ao logo dos meus 30 anos dentro da política, conheci muita gente mal intencionada com o intuito de macular minha imagem, ainda mais em um período eleitoral conturbado, como está sendo o pleito em nossa capital." 

O parlamentar disse ainda que não trabalhou no Executivo, não é ordenador de despesas e, como legislador, faz a parte dele, "trazendo recursos para que Roraima se desenvolva". "Que a Justiça seja feita e que, se houver algum culpado, que seja punido nos rigores da lei", afirmou. 

Em nota, a Executiva nacional do DEM afirmou que a direção da legenda determinou que o departamento jurídico acompanhe os desdobramentos da investigação. Segundo o partido, "havendo comprovação", as sanções serão aplicadas. A legenda, contudo, não informou quais punições o parlamentar poderá ser alvo. 

"Estamos atentos a todos os detalhes da investigação e, havendo a comprovação da prática de atos ilícitos pelo parlamentar, a Executiva Nacional aplicará as sanções disciplinares previstas no Estatuto do partido", diz a nota. 

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